quarta-feira, 22 de setembro de 2010

RESPONDER A VONTADE DE DEUS

“Responder à vontade de Deus não significa saber explicá-la, significa agir, viver, amar. Essa é a resposta que Deus espera de nós: saber reconhecê-lo em cada próximo que nos passa ao lado. Se Jesus nos perguntasse hoje quem ele é, deveríamos responder “Tu és o próximo que amo no instante presente”. Ou respondendo à pergunta ao contrário: quem são essas pessoas que encontro durante o dia? São Jesus. Cada uma delas. O meu amor é dirigido a Ele, que está presente em cada próximo. Amar unicamente a Jesus, ajuda-me a não fazer distinções e o outro sente-se amado com um amor exclusivo. É um jogo divino completamente encarnado no humano”.
” RESPONDER À VONTADE DE DEUS DO MOMENTO PRESENTE “
(Apolonio)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SER DIFERENTE

Paz e Bem!
O tema proposto nos revela uma bela identidade: a identidade divina que há em cada um de nós!
Somos de Deus e ninguém pode tirar essa marca, selo, caráter, verdade de nossa vida.
Ser de Deus significa, antes de tudo, tomar consciência do novo nascimento para Deus (Batismo), o dom do amor de Deus derramado em nossos corações. No nosso batismo nos tornamos definitivamente e inteiramente de Deus.
Sou de Deus porque fui marcado pelo Espírito Santo, a unção de Deus está sobre mim!
Somos de Deus, fomos criados por Ele, amados por Ele, para sermos sinais Seus para o mundo, para sermos sinais da novidade!
É preciso viver a realidade de ser totalmente de Deus, no falar, no vestir, no estudar, no viver. Hoje o Senhor nos chama a anunciar com a vida o que ele fez de nós.
Quando assumo essa identidade logo me torno diferente. Minha vida, minhas amizades, meu namoro, meus relacionamentos se tornam diferentes porque o Espírito Santo de Deus me transformou. Tudo tem um novo sentido.

Irmão e irmã, você é chamado hoje a renovar essa marca de ser de Deus, ser diferente. Talvez você questione o porquê do não conseguir viver esta graça. O que te impede? O que está faltando? Nunca diga ser impossível viver o testemunho de uma pessoa nova no Espírito Santo. Deus esta em ti e te dará forças, sempre novas, para ter atitudes de quem é de Deus.

Hoje ser diferente é estranho para alguns “amigos”, mas eles começam aceitar-nos do jeito que somos. Na medida em que somos determinados pelo Espírito Santo que age em nós, ele nos dá forças para sermos diferentes no meio dos nossos amigos, no mundo de hoje. Não tenha medo de dizer quem você é de verdade para todos.
E o que nos diferencia no mundo de hoje é que somos nascidos para DEUS e não para o mundo. Então é isso que nos faz ser diferentes: Ser de Deus.
Devemos ter a consciência de que esse ser diferente custa muito para nós. É a exigência do seguimento autêntico a Jesus Cristo. É um caminho de renúncias. Hoje a mentalidade mundana foge de renúncias. A mentalidade do evangelho nos pede perder para ganhar: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho vai salvá-la” (Cf. Marcos 8,34b-35).
Somos chamados a nadar contra a maré. Vai custar, vamos sentir solidão, nos chamarão de santinho (a), mas vale à pena! Deus é tudo na sua vida, seja Ele o centro de tudo, esteja no lugar devido. Que Cristo reine dentro de nós.
Nunca tema as críticas, e até mesmo as suas fraquezas, pois Jesus é sua segurança e você esta no caminho certo. Com uma nova coragem vamos gritar para o mundo ouvir: SOMOS DE DEUS PARA SEMPRE!

Pe. Márcio José da Costa Teixeira
Membro Consagrado de Vida da
Comunidade Doce Mãe de Deus

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Apesar das dores da cruz, a ternura de Deus não muda para conosco!

Dentro de uma breve palavra na memória Litúrgica de Nossa Senhora das Dores, ressalto um dos aspectos de Maria na sua relação com o mistério da dor e do sofrimento pelo qual passara como pessoa humana, que foi, sem dúvida, a sua fé. Não uma fé, evidentemente, passiva, ou seja, de quem diz: tenho mesmo que sofrer, pois é vontade de Deus. Não foi esta a postura de Maria diante da dor. “Maria permanecia de pé diante da Cruz” (cf. Jo 19,25s), como sinal de fé e esperança que protegiam a sua dignidade de filha de Deus. Não precisamos nos desesperar na hora da dor e do sofrimento, pois essas experiências podem ser portas para um recomeço de vida e sentido, sobretudo, fazermos-nos mais confiantes de que Deus tirará um bem maior deste acontecimento.

Quando o velho Simeão diz a Maria: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muito em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (cf. Lc 2,33-35), Maria não se angustia, mas guarda em seu coração todas as profecias a seu respeito, ela é uma mulher de fé, “fé carismática”, que dialoga com Deus e consigo mesma, no entanto, a última palavra não é dos acontecimentos, mas a de Deus que lhe disse por meio do anjo: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. O menino que nascerá de ti será chamado Filho de Deus!” (cf. Lc 1,30-32).

Estar diante da dor e do sofrimento sem a fé é desesperador, é ter a cruz como sinal de ignomínia e não permitir que ela nos purifique, nos salve de nós mesmos. Manter a esperança em Deus de que tudo concorre para o bem dos que O amam deve ser a nossa resposta, pois, apesar das “dores da cruz”, a  ternura de Deus não muda para conosco. Concluo lembrando também neste dia das dores da Igreja nestes tempos de tantas turbulências, de acusações e perseguições contra ela, no entanto, é também a Igreja que nos ensina a estarmos de pé diante da cruz, porque a última palavra é a de Nosso Senhor Jesus Cristo que disse: Não temais! “Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28,20). Como não acreditar que estás com os homens, Senhor, com a Igreja, com os teus filhos exatamente nas horas onde a cruz e a dor lhes parecem tão íntimas? Claro que estás! Nossa Senhora, Virgem das Dores, rogai por nós!

Antonio Marcos
antoniomarcosdeaquino@hotmail.com

terça-feira, 14 de setembro de 2010

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo (Séc. VIII)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A glória e a exaltação de Cristo é a cruz

Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.
Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.
É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como o cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-o a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

domingo, 12 de setembro de 2010

SER TODO DE DEUS!

Ser de Deus! Ser totalmente de Deus! Não ficar em cima do muro! Não ser “muralista”, mas, ser Cristão. Cristão de verdade!
Hoje, em um mundo tão relativista, temos um grande risco de relativizar também a Deus. De torná-lo em nossa vida um “ídolo”, ou seja, colocá-lo no mesmo patamar ou abaixo de outros “deuses” que possam existir em nossa vida, como por exemplo: pessoas e bens materiais.
No texto do evangelho de São João, no capitulo seis, contemplamos o bonito discurso de Jesus sobre a Eucaristia. Contudo, quando chega ao final desta pregação, muitos discípulos o abandonam, porque as palavras de Jesus eram duras demais.
Hoje, no mundo em que vivemos, não é diferente. A Igreja de Cristo é atacada, de maneira injusta, por ter um discurso ultrapassado e duro demais para ser vivido. Deixamo-nos contagiar por esta idéia doentia:  nos tornar “secularizados”! Esquecemos que estamos no mundo, mas, não somos deste mundo!
Mais uma vez retomo uma palavra que o primeiro papa de nossa Igreja proclamou diante de Cristo: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.
Afinal, de que lado nós estamos? Em que time nós jogamos?
Ou vestimos a camisa de Cristãos, ou seremos engolidos pela descrença e pela falta de fé.
Diante da Palavra Encarnada, digamos como são Pedro e os santos: Queremos ser totalmente de Deus. “Com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (Hb 12,2).

Deus abençoe a todos,
Padre José Andre CDMD
www.docemaededeus.org

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

FUGIR DO BARULHO.....


 
“(…) Precisamos de encontrar Deus, e não é na agitação nem no barulho que poderemos encontrá-Lo. Deus é o amigo do silêncio. Em que tamanho silêncio não crescem as árvores, as flores e a erva! Em que tamanho silêncio não se movem as estrelas, a lua e o sol! Não é nossa missão dar Deus aos pobres dos casebres? Não um Deus morto, mas um Deus vivo e que ama. Quanto mais recebermos na oração silenciosa, mais podemos dar na nossa vida activa. Precisamos de silêncio para sermos capazes de tocar as almas. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus nos diz e o que diz através de nós. Todas as palavras que dissermos serão vãs se não vierem do mais íntimo; as palavras que não transmitem a luz de Cristo aumentam as trevas.
Os nossos progressos na santidade dependem de Deus e de nós próprios, da graças de Deus e da própria vontade que temos de ser santos. Temos de assumir o compromisso vital de atingir a santidade. «Quero ser santo» significa: quero desligar-me de tudo o que não é Deus, quero despojar o coração de todas as coisas criadas, quero viver na pobreza e no despojamento, quero renunciar à minha vontade, às minhas inclinações, caprichos e gostos, e tornar-me o dócil servo da vontade de Deus” (Beata Teresa de Calcutá).

domingo, 29 de agosto de 2010

21 anos da Comunidade Doce Mãe de Deus

A CRUZ É PARA NÓS COMO O SOL!



























Caríssimos irmãos e irmãs da Comunidade Doce Mãe de Deus, queridos irmãos e irmãs fiéis em Cristo Jesus. Nesse Domingo festivo somos convidados por Deus a celebrar com alegria e humildade o memorial da nova aliança e a dar graças a Deus por Jesus Cristo, pelos 21 anos da Comunidade Doce Mãe de Deus.  Aproximemo-nos de sua presença viva na Eucaristia e digamos com alegria e gratidão: “O Senhor fez em nós maravilhas, grande é o seu nome”. Esse é o grito de louvor de Maria, a Doce Mãe, e esse, com toda certeza, é o louvor dos primeiros de nossa Comunidade (Inaldo Alexandre da Silva, Ir. Marliane de Andrade Cavalcante, Iara Alexandre da Silva e Ir. Roselir Gonzaga de Brito) que deixaram tudo e seguiram os passos de Jesus. Também esse deve ser o nosso louvor, nós que somos frutos desse novo carisma ainda nascente: consagrados, irmãs e irmãos celibatários, irmãos casados, diácono e padres.

As leituras de hoje são providenciais, pois nos falam da escolha de Deus pelos pequenos, pelos humildes e pelos pobres de Deus. No Livro do Eclesiástico, o autor sagrado vem nos mostrar que a verdadeira modéstia nos leva para Deus enquanto os altaneiros e os ilustres são confundidos. Aos humildes são revelados os mistérios de Deus, enquanto aos soberbos e aos orgulhosos, cegados pelo pecado, não há compreensão da vontade divina. Irmãos e irmãs, Deus se revela na fraqueza e na pequenez, e a grande sabedoria está em fazer unicamente a vontade do Pai, expressa em Jesus, o Deus visível. A nós, templos de Deus e vasos de argila, é feita uma promessa que está no refrão do salmo de hoje, que se concretiza ao buscarmos o Senhor com um coração sincero: “com carinho preparaste uma mesa para o pobre” (Sl 67). Esta pobreza evangélica que professamos com tanta determinação em nossa consagração, deve nos levar a viver com plena liberdade e gratuidade. Está aí a nossa grande riqueza, como nos diz o nosso estatuto de vida: “A pobreza nos leva á riqueza”.
Na segunda leitura, o autor da carta aos hebreus nos lembra que nós não nos aproximamos de uma realidade palpável “fogo ardente e escuridão, trevas e tempestades, som da trombeta e voz poderosa”, mas nos aproximamos de Jesus, o Deus vivo, o Juiz de todos, o mediador da nova aliança. Temos grande experiência de Deus em Jesus, o Filho unigênito, aquele que nasceu no presépio, viveu entre nós, morreu crucificado e ressuscitou ao terceiro dia.
Na Eucaristia temos a maior experiência de amor com Deus, pois experimentamos a força da sua ressurreição e sua predileção para conosco, nela temos a plena certeza que nossos nomes estão escritos no livro da vida.
No evangelho de São Lucas, Jesus nos mostra a nova realidade onde, aqueles que procuram os primeiros lugares, são convidados a deixarem estes lugares aos últimos do reino, ou seja, aqueles que servem; pois aqueles que se elevam serão humilhados enquanto os humilhados serão exaltados. Como nos fala Jesus no Evangelho, a nossa recompensa, irmãos e irmãs, não é a dos homens e sim a de Deus: a ressurreição dos justos. Por isso, não esperemos demasiadamente os elogios dos homens da sociedade ou dos homens e das mulheres da Igreja ou até mesmo dos irmãos e das irmãs da Comunidade Doce Mãe de Deus. Seremos felizes se fizermos tudo por amor e gratuidade, mas nem por isso podemos esquecer de dizer “muito obrigado” por um bem recebido de um irmão ou irmã, principalmente no dia de hoje pelo sim de cada um.

São Francisco fez esta opção evangélica do não ter nada de material e de ter a Deus como a única riqueza. Por isso, ele foi considerado o homem mais feliz que já existiu nesta terra. Aquele que vivia em função dos irmãos por amor ao grande Deus, o Altíssimo, o Onipotente. Como nos diz os seus escritos, que lemos quase que diariamente em nossas casas, o trono que foi preparado para Lúcifer (Anjo da luz), que foi expulso do céu por causa do seu grande orgulho, foi dado ao pobrezinho de Assis por causa de sua grande humildade, segundo uma visão de um irmão franciscano.

Nos tempos de hoje é possível viver assim? Esta é a grande pergunta que muitos fazem. Olhando para o Cristo pobre podemos dizer que sim! Viver de maneira simples, se reconhecendo como um homem e uma mulher totalmente dependente de Deus como Santa Clara, que nos últimos momentos de sua vida se alimentava apenas da Eucaristia, o grande Deus da vida.

Olhando hoje para a nossa Comunidade, muita coisa já mudou. A estrutura física, mais irmãos e irmãs, novas casas de missão no Brasil e na França. Mais uma coisa não pode mudar em nós, aquilo que é essencial em nossa vida como comunidade consagrada, o nosso amor a Deus. Acima de tudo, devemos amá-lo de todo coração e não trocá-lo por nada neste mundo, nem por coisas ou pessoas. Cada um, no seu estado de vida, não pode perder este grande amor encontrado, este amor revelado por Jesus que nos leva viver o simples da vida com gratuidade e gratidão. Irmãos e irmãs, contemplemos a imagem dos quatro primeiros se alimentando no chão sobre uma toalha estendida, os pratos no chão, os talheres colocados com tanto zelo e carinho e o amor dos primeiros pela evangelização. Contemplemos o coração missionário do nosso fundador que com tantas palavras de sabedoria e tanto cuidado pelos irmãos faz crescer esta obra que é de Deus. Ele, que nunca quis ficar nos “primeiros lugares”, mas que foi colocado pelo próprio Deus a frente de um povo. Poderia ter sido outro fundador, um padre ou um bispo ou um doutor. Mas Deus escolheu um “carioca-goiano-paraibano”, comedor de “piquí” e de “jurubeba”. Um homem feliz que contagia a todos com a sua alegria para manifestar a grandeza de Deus no meio dos homens. Pai de família e pai de uma vocação com tantos filhos doutos ou não, leigos e clérigos, homens e mulheres que querem viver como testemunhas do grande mistério da salvação de Cristo pelo amor da santa cruz.

Inaldo, Ir. Marliane, Iara e Ir. Roselir, somos gratos pelo sim que vocês deram por amor a Deus. Que o Deus da vida recompense vocês por tão grande coragem de enfrentar tudo que passaram.  Que São João Batista rogue a Deus por nós e pelo nosso sim, como vocação, até o fim de nossas vidas como verdadeiras testemunhas, como profetas. Que outros irmãos e irmãs possam fazer parte desta grande família, família de Deus, consagrados e consagradas Doce Mãe de Deus.


Deus abençoe a todos.

Monsenhor  José André  da Silva Anselmo
Membro consagrado de vida - Doce Mãe de Deus

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A busca da Verdade e a importância do silêncio.

Caríssimos irmãos e irmãs,
Na vida de cada um de nós existem pessoas muito queridas, que sentimos particularmente próximas, algumas já estão nos braços de Deus, outras ainda partilham conosco o caminho da vida: são os nossos pais, os parentes, os educadores, as pessoas a quem fizemos bem ou de quem recebemos o bem; são pessoas com quem sabemos que podemos contar. É importante, entretanto, ter também alguns “companheiros de viagem” no caminho de nossa vida cristã: penso no Diretor espiritual, no Confessor, nas pessoas com quem se pode compartilhar a experiência de fé, mas penso também na Virgem Maria e nos Santos. Todos devem ter algum santo que lhe seja familiar, para senti-lo próximo por meio da oração e intercessão, mas também para imitá-lo. Gostaria de convidar, então, a um maior conhecimento dos Santos, começando por aquele de quem se leva o nome, lendo sua vida, seus escritos. Tenham certeza de que eles se tornarão bons guias para amar ainda mais o Senhor e uma válida ajuda para o crescimento humano e cristão.
Como sabem, eu mesmo estou ligado de modo especial a algumas figuras dos Santos: entre eles, estão São José e São Bento, de quem levo o nome, e outros, como Santo Agostinho, que tive o grande dom de conhecer, por assim dizer, muito de perto, através do estudo e da oração, e que se tornou um bom “companheiro de viagem” na minha vida e no meu ministério.
Gostaria de sublinhar uma vez mais um aspecto importante da sua experiência humana e cristã, atual mesmo em nossa época, em que parece que o relativismo é, paradoxalmente, a “verdade” que deve guiar o pensamento, as escolhas, os comportamentos. Santo Agostinho é um homem que nunca viveu com superficialidade; a sede, a busca inquieta e constante da Verdade é uma das características fundamentais de sua existência; não, porém, das “pseudo verdades” incapazes de levar paz duradoura ao coração, mas daquela Verdade que dá sentido à existência e é “a morada” em que o coração encontra serenidade e alegria.
O caminho dele não foi fácil, nós sabemos: pensava em encontrar a Verdade no prestígio, na carreira, na posse das coisas, nas vozes que lhe prometiam felicidade imediata; cometeu erros, atravessou a tristeza, enfrentou insucessos, mas nunca parou, nunca se satisfez com aquilo que lhe dava apenas um vislumbre de luz; soube perscrutar o íntimo de si e percebeu, como escreve nas Confissões, que aquela Verdade, que o Deus que buscava com suas próprias forças era mais íntimo de si que ele próprio, ele sempre esteve ao seu lado, nunca o tinha abandonado, estava à espera de poder entrar de modo definitivo na sua vida (cf. III, 6, 11; X, 27, 38). Como dizia ao comentar o recente filme sobre sua vida, Santo Agostinho compreendeu, em sua busca inquieta, que não era ele quem havia encontrado a Verdade, mas a própria Verdade, que é Deus, tinha-o buscado e encontrado (cf. L’Osservatore Romano, quinta-feira, 4 de setembro de 2009, p. 8). Romano Guardini, comentando uma passagem do terceiro capítulo das Confissões, afirma: Santo Agostinho percebe que Deus é “glória que se ajoelha, bebida que mata a sede, o amor que traz felicidade, [... ele era] a pacificante certeza de que finalmente tinha compreendido, mas também a beatitude do amor que sabe: isto é tudo e me basta” (Pensatori religiosi, Brescia 2001, p. 177).
Também nas Confissões, no livro nono, nosso Santo reporta uma conversa com a mãe, Santa Mônica, cuja memória se celebra na próxima sexta-feira, depois de amanhã. É uma cena muito bonita: ele e sua mãe estão em Ostia, em um hotel, e da janela veem o céu e o mar, transcendem céu e mar, e por um momento tocam o coração de Deus no silêncio das criaturas. E aqui surge uma ideia fundamental no caminho para a Verdade: as criaturas devem silenciar, deve prevalecer o silêncio, em que Deus pode falar. Isso é verdade ainda mais em nosso tempo: há uma espécie de medo do silêncio, do recolhimento, do pensar as próprias ações, do sentido profundo da própria vida, frequentemente se prefere viver o momento fugaz, iludindo-se de que traz felicidade duradoura, prefere-se viver assim pois parece mais fácil, com superficialidade, sem pensar; há medo de buscar a Verdade ou talvez haja medo de que a Verdade seja encontrada, que agarre e mude a vida, como aconteceu com Santo Agostinho.
Caríssimos irmãos e irmãs, gostaria de dizer a todos, também àqueles que vivem um momento de dificuldade no seu caminho de fé, aos que participam pouco da vida da Igreja ou aos que vivem “como se Deus não existisse”, que não tenham medo da Verdade, não interrompam o caminho para ela, não deixem de buscar a verdade profunda sobre si e sobre as coisas, com os olhos interiores do coração. Deus não falhará em oferecer a Luz para fazer ver e Calor para fazer sentir, ao coração que ama e que deseja ser amado.
A intercessão da Virgem Maria, de Santo Agostinho e de Santa Mônica os acompanhe neste caminho.

Discurso do Papa Bento XVI na audiência geral desta quarta-feira, no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo [Traduzido do original italiano por Alexandre Ribeiro.]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Celibato dos padres: repressão, egoísmo ou amor?

Presbitério do Centro de Formação Discípulo Amado na Comunidade Doce Mãe de Deus
 
No dia 13 de junho de 1525, o ex-monge Martinho Lutero casou com a ex-freira Catarina von Bora. De acordo com suas palavras, «assim como não está em meu poder deixar de ser homem, também não está em meu poder ficar sem mulher. O mesmo princípio vale para a mulher. Não se trata de livre escolha ou decisão, mas de algo necessário e natural. Quem é homem tem de ter uma esposa, e quem é mulher tem de ter um marido».
Ao comentar a palavra de Jesus – «há pessoas que não casam pelo Reino de Deus» (Mt 19,12) –, Lutero afirma que «elas existem, mas são raras. Ninguém deve tomar a iniciativa de seguir por este caminho, senão unicamente por um chamado especial de Deus, ou seja, que sinta a graça de Deus tão forte dentro de si, que o mandamento “crescei e multiplicai-vos” não lhe diga respeito».
Contudo, depois de ter feito a experiência do casamento, Lutero percebeu que, se não houver uma maturidade humana e cristã, ele não resolve nenhum dos problemas afetivos e sexuais que inquietam as pessoas, tanto que muitas delas casam e descasam sem nunca encontrar a solução das angústias existenciais que as atormentam: «A vida matrimonial não é assunto para brincadeira ou curiosidade atrevida, mas algo excelente e matéria de divina seriedade. O casal precisa conviver em amor e concórdia, para que um queira o outro de coração e com fidelidade integral. Onde houver esse cuidado, a castidade será espontânea, e não uma obrigação imposta».
Podemos concordar ou discordar de muitas das afirmações do líder da Reforma, menos de uma delas, inculcada desde as primeiras páginas da Bíblia: «Não é bom que o ser humano fique sozinho» (Gn 2,18). Mas, será que esta palavra de Deus se refere sempre, ou somente, ao cônjuge? Há casados que se sentem sozinhos, na mais profunda solidão... De outro lado, são milhões as pessoas que se realizaram plenamente no celibato.
A resposta é outra: quem realiza o homem, criado à imagem de um Deus que é comunhão, é sempre e somente o amor. Quanto mais ele for verdadeiro, maior a realização humana. Se os laços do sangue não são sempre suficientes para garantir e perpetuar essa união, muito menos o serão o instinto sexual e a carência afetiva.
É o que pensa também o Papa Bento XVI: para não se identificar com repressão e egoísmo, o celibato precisa ser alimentado por um amor sem medidas: «O sacerdote deve conhecer verdadeiramente Deus a partir de dentro e, assim, levá-lo aos homens. Este é o serviço prioritário que a humanidade atual busca e precisa. Se se perde esta centralidade de Deus na vida sacerdotal, esvazia-se pouco a pouco também o zelo pela missão. No excesso das coisas externas, falta o centro que dá sentido a tudo e o reconduz à unidade. O celibato pode ser compreendido e vivido só por essa orientação de fundo. As razões pragmáticas, a referência à maior disponibilidade, não são suficientes. Esta maior disponibilidade de tempo poderia facilmente tornar-se uma forma de egoísmo, que se poupa aos sacrifícios e às fadigas exigidas pelo aceitar-se e suportar-se reciprocamente no matrimônio; poderia até levar a um empobrecimento espiritual, a uma dureza do coração. O verdadeiro fundamento do celibato está contido apenas na frase: Tu, Senhor, és a minha herança e a minha taça (Sl 16, 5)».
Como se percebe, para Lutero e Bento XVI o celibato é feito para quem consegue dizer com o coração: «Deus me basta para ser feliz!». Ambos fundamentam suas palavras na doutrina de São Paulo, para quem a única razão do celibato é a «dedicação integral ao Senhor, sem outras distrações» (1Cor 7,35). Mas isso só acontece quando se busca um conhecimento vital de Deus – e não apenas teórico e abstrato –, a exemplo de Jó, que repetia, depois de longos anos de sofrimento: «Antes, eu conhecia o Senhor apenas por ouvir dizer. Agora, porém, o vejo com meus próprios olhos» (Jó 42,5). Se faltar este contato íntimo com o Senhor, é mais prudente seguir o conselho de São Paulo: «Se não consegues conter-te, casa, pois é melhor casar do que queimar» (1Cor 7,9). Em todo o caso, o amor a Deus e aos irmãos deve ser, no mínimo, tão forte quanto são as exigências da carne e as tentações da sociedade atual – umas e outras cada dia mais acentuadas e sorrateiras. Foi essa realidade que levou o cardeal Carlos Maria Martini, arcebispo emérito de Milão, a afirmar com a sabedoria que a experiência lhe concedeu: «Esta forma de vida é muito exigente; ela pressupõe profunda religiosidade, uma vida comunitária sadia, uma personalidade forte e, sobretudo, vocação ao celibato».


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por
CNBB

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vontade de Deus: escravidão?

 
Ao conhecer a Deus, conheço também a sua Vontade para mim e conhecendo-a, devo cumpri-la. Como pode existir liberdade em uma relação como essa? Como podemos dizer que Deus nos ama e nos deixa livre, se já possui uma vontade para nós? Onde está o amor? A Vontade de Deus é uma escravidão? Fazemo-la e pronto?
Permitamo-nos voltar ao primeiro anúncio, ao anúncio do Amor de Deus: Deus criou tudo com perfeição e após criar todas as coisas, “viu que tudo era bom” (cf. Gn 1). Criou em particular o homem e o dotou de liberdade. Mas este homem decidiu pecar (utilizando de sua liberdade), aceitando o convite da serpente de “ser como deuses”. Aí começou a existir a escravidão. A maior escravidão do homem é o pecado, que ele mesmo escolhe. O homem torna-se fraco, ou seja, não é mais livre o suficiente para decidir-se pelo melhor para si, mas sofre agora porque a sua liberdade está sujeita a alimentar a sua fraqueza e fazê-lo cada vez mais infeliz. É aqui, nesta condição, que Deus deseja manifestar a todo homem a sua Vontade, que não escraviza, mas, ao contrário, devolve a liberdade, aquela que ficou comprometida por causa do pecado.
A Vontade de Deus vai se revelando de forma suave e libertadora na vida daqueles que tiveram uma experiência verdadeira com Seu amor. O amor aqui não é somente um sentimento, que sem duvida é um maravilhoso impulso inicial, mas o amor toca o individuo no todo, desde o sentimento até a união das vontades.
Só se poder falar de Vontade de Deus para quem teve esta experiência, pois quando descobrimos que Deus é Amor (cf. 1 Jo 4,8), entendemos também que é próprio do amor querer o melhor para o amado. Estranho seria o amor de Deus se simplesmente nos criasse e nos deixasse entregue à força de nossas paixões. Estaríamos, assim, destinados a uma vida voltada somente para nós mesmos, sendo aquilo para o qual não fomos criados e nunca podendo nos realizar plenamente.
“A história do amor entre Deus e o homem consiste precisamente no fato de que esta comunhão de vontade cresce em comunhão de pensamento e de sentimento e, assim, o nosso querer e a vontade de Deus coincidem cada vez mais: a vontade de Deus deixa de ser para mim uma vontade estranha que me impõem de fora os mandamentos, mas é a minha própria vontade, baseada na experiência de que realmente Deus é mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio” (Deus caritas est, 17. Grifo nosso)
Deus, por amor, deseja fazer conhecida a Sua Vontade. Aqui, entramos no mistério da VOCAÇÃO. Quando compreendemos o amor de Deus, vemos a grandeza de sermos chamados a uma vocação. Que privilégio! Deus me chama. Agora não é mais um peso, não é uma obrigação fazer a vontade de Deus, mas nós, livremente, optamos pela nossa liberdade, e nela encontramos também a nossa felicidade.
É por isto que tantas vezes vemos o apelo dos santos que dizem: “vontade de Deus, meu paraíso”. Do Santo Padre, Bento XVI: “Deus não tira nada, dá tudo” e de outros que nos encorajam: “Se sentirdes o chamado do Senhor, não o recuseis” (João Paulo II).
Se você que lê esse artigo sente o chamado de Deus para uma vocação específica, coragem! Vale a pena optar pela eternidade já aqui na terra. Vale a pena ser feliz.

Comunidade Shalom

sábado, 14 de agosto de 2010

COMO DEVEMOS AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO...



“Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas”. (Mt 22,34-40).

“Presta atenção, caríssima alma serva de Jesus Cristo, que amor o teu amado Jesus exige de ti. Que farás para amar teu Deus de todo o teu coração? Ouve São João Crisóstomo ensinar-te: ‘Amar a Deus de todo o coração significa não teres o coração inclinado ao amor de coisa alguma mais do que Deus, não te deleitares na figura deste mundo nem nas honras, nem nos pais, mais do que em Deus’.” (Do opúsculo De Perfectione Vitae, de São Boaventura, bispo).

“Não somente de todo o teu coração, mas ainda de toda a tua alma hás de amar o Senhor Deus Jesus Cristo. Como de toda a alma? Santo Agostinho te instrui: ‘Amar a Deus de toda a alma consiste em amá-lo de toda a vontade, excluindo qualquer coisa contrário’. É certo que amas de toda a alma, quando fazes de boa vontade, sem contradição, não o que queres nem o que aconselha o mundo nem o que sugere a carne, o que sabes querer o Senhor, teu Deus. Seguramente amas a Deus de toda a alma, quando por amor de Jesus Cristo expões de bom grado à morte, se necessário, a tua vida”. (Do opúsculo De Perfectione Vitae, de São Boaventura, bispo).

Não apenas de todo o coração, não só de toda a alma, mas ainda de toda a mente ama a teu Esposo, o Senhor Jesus. Como de toda a mente? De novo, Santo Agostinho ensina: ‘Amar a Deus de toda a mente é amar a Deus de toda a memória, sem esquecimento’.” (Do opúsculo De Perfectione Vitae, de São Boaventura, bispo).

E QUANTO O AMOR AO PRÓXIMO?

Ouçamos São Paulo: ”Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus”. (Fil. 2,1-5).

Frei Fernando

domingo, 20 de junho de 2010

O homem novo conhece o olhar novo



“O olhar é muito mais do que função fisiológica, É uma linguagem forte. É um universo carregado de sentido. É condensação do mistério do homem. Relata o destino de muita gente. Provoca alterações decisivas na vida. Mesmo o olhar indiferente suscita reações contraditórias. O olhar é, em grande parte, a morada do homem. O universo do olhar é vasto e misterioso. Olhar habitação que acolhe o próximo que passava desabrigado. Olhar rejeição que distancia o gesto de diálogo. Olhar atração que cativa e envolve o semelhante. Olhar envenenado que espalha ameaça.
            Olhar inocente que semeia simplicidade pela face da terra. Olhar malicioso que planta a semente da maldade no corpo dos homens. Olhar indiscreto que revela as intimidades humanas. Olhar sigiloso que arquiva quadros dolorosos e cenas humilhantes. Olhar atento que não desperdiça o menor sinal de boa vontade. Olhar displicente que esquece a presença do outro. Olhar compreensivo que apaga os rastos dos erros. Olhar intolerante que espreita o deslize da fraqueza. Olhar generoso de Cristo que abraça toda Jerusalém. Olhar mesquinho do fariseu que cata e filtra migalhas.
            Olhar de Cristo que recupera Pedro hesitante. Olhar encolerizado que fulmina o parceiro. Olhar apelo que suplica compaixão e ajuda. Olhar intransigência que cobra a última gota de sofrimento. ‘Olhar amor que unifica os que se querem. Olhar ódio que esfaqueia os que se detestam. Olhar história que vive a evolução das construções, o fluxo das gerações, o movimento dos estilos. Olhar documentação que registra as clareiras dos horizontes, a floração dos campos, o sangue dos acidentes, o desesperado precipitando-se do edifício, o último aceno de quem está se afogando.
            Olhar de ansiedade que fica na estrada acompanhando aquele que parte. Olhar de esperança que não sai da estrada, aguardando a volta do filho pródigo. Olhar do recém-nascido que anuncia a chegada de uma existência. Olhar do agonizante que procura perpetuar sua presença entre os que ficam. Olhar evangélico que anuncia o reino de Deus. Olhar céptico que recusa os sinais da esperança.
            Olhar consciente que ativa a reflexão humana. Olhar coisificado que manipula os homens como objetos. Olhar libertador que retira o irmão do cativeiro moral. Olhar argentário que industrializa até os sentimentos humanos. Olhar decidido que busca a realização pessoal. Olhar evasivo que evita o encontro com a realidade. Olhar pacifico que reconcilia as vidas separadas. Olhar reticente que fragmenta a confiança. Olhar de perdão que põe de pé a quem estava caído. O olhar é também linguagem de Deus.

Do livro “ESTRADEIRO” de Juvenal Arduini - Edições Paulinas.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Jesus manso e humilde de coração, dai-me um coração semelhante ao vosso!



Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 15,3-7
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas:

Naquele tempo: 3Jesus contou aos escribas e fariseus esta parábola: 4'Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: 'Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!' 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.

- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor

Comentário ao Evangelho do dia feito por Bem-aventurado João XXIII (1881-1963), Papa
Diário da Alma, 1901-1903

«Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.»

Sinto que o meu Jesus Se vai aproximando cada vez mais de mim. Permitiu que, nestes dias, eu caísse ao mar, me afundasse na consideração das minhas misérias, da minha soberba, para me fazer compreender mais a imperiosa necessidade que tenho Dele. Quando estava prestes a afundar-me, Jesus, caminhando sobre as águas, veio sorridente ao meu encontro para me salvar. Eu queria dizer-Lhe, como Pedro: «Afasta-Te de mim, que sou um homem pecador» (Lc 5, 8); mas a ternura do Seu coração, a suavidade do Seu tom de voz, advertiu-me: «Não tenhas medo» (Lc 5, 10).

Nada temo, ao Vosso lado. Descanso no Vosso peito; como a ovelha perdida, escuto os latejos do Vosso coração; Jesus, sou Vosso, uma vez mais, sempre Vosso. Contigo sou verdadeiramente grande; débil talo de junco sem Ti, sou uma coluna apoiado em Ti. Não me hei-de esquecer nunca da minha miséria, para recear sempre de mim mesmo; mas, embora humilhado e confuso, devo, com confiança crescente, abraçar-me ao Vosso coração, porque a minha miséria é o trono da Vossa misericórdia e do Vosso amor.

Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso!

Sagrado coração de Jesus, eu confio em vós!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Corpus Christi, reviver o mistério de Cristo





Homilia do Papa Bento XVI - Festa de Corpus Christi

Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece uma sua procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Em Israel, celebrava-se a noite de Páscoa em casa, na intimidade da família. Fazia-se assim memória da primeira Páscoa, no Egito da noite em que o sangue do cordeiro pascal, aspergido na arquitrave e nos portais das casas, protegia contra o exterminador. Jesus, naquela noite, sai e entrega-se ao traidor, ao exterminador e, precisamente assim, vence a noite, vence as trevas do mal. Só desta forma, o dom da Eucaristia, instituída no Cenáculo, encontra o seu cumprimento: Jesus entrega realmente o seu corpo e o seu sangue. Atravessando o limiar da morte, torna-se pão vivo, verdadeiro maná, alimento inexaurível para todos os séculos.A carne torna-se pão de vida.
Na procissão da Quinta-Feira Santa, a Igreja acompanha Jesus ao monte das Oliveiras: a Igreja orante sente um desejo profundo de vigiar com Jesus, de não o deixar sozinho na noite do mundo, na noite da traição, na noite da indiferença de muitos.

Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição. O Senhor ressuscitou e precedeu-nos. Nas narrações da Ressurreição há uma característica comum e fundamental; os anjos dizem: o Senhor "vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis" (Mt 28, 7). Considerando isto mais de perto, podemos dizer que este "preceder" de Jesus exige uma dupla direção. A primeira é como ouvimos a Galileia. Em Israel, a Galileia era considerada como a porta que se abre para o mundo dos pagãos.

E na realidade precisamente na Galileia, no monte, os discípulos vêem Jesus, o Senhor, que lhes diz: "Ide... fazei discípulos de todos os povos" (Mt 28, 19). A outra direção do preceder, por parte do Ressuscitado, aparece no Evangelho de São João, nas palavras de Jesus a Madalena: "Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai..." (Jo 20, 17). Jesus precede-nos junto do Pai, eleva-se à altura de Deus e convida-nos a segui-lo. Estas duas direções do caminho do Ressuscitado não se contradizem, mas indicam ao mesmo tempo o caminho do seguimento de Cristo. A verdadeira meta do nosso caminho é a comunhão com Deus o próprio Deus é a casa com muitas moradas (cf. Jo 14, 2s.). Mas só podemos subir a esta morada indo "em direção à Galileia" indo pelos caminhos do mundo, levando o Evangelho a todas as nações, levando o dom do seu amor aos homens de todos os tempos. Por isso o caminho dos apóstolos prolongou-se até aos "confins da terra" (cf. Act 1, 6s.); assim São Pedro e São Paulo foram até Roma, cidade que na época era o centro do mundo conhecido, verdadeira "caput mundi".

A procissão da Quinta-Feira Santa acompanhou Jesus na sua solidão, rumo à "via crucis". A procissão de Corpus Christi, ao contrário, responde de maneira simbólica ao mandamento do Ressuscitado: precedo-vos na Galileia. Ide até aos confins do mundo, levai o Evangelho a todas as nações. Sem dúvida, para a fé, a Eucaristia é um mistério de intimidade. O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos. Por isso, na liturgia da Igreja antiga, a distribuição da sagrada comunhão era introduzida com as palavras: Sancta sanctis o dom sagrado destina-se aos que são tornados santos. Deste modo, respondia-se à admoestação dirigida por São Paulo aos Corintios: "Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho..." (1 Cor 11, 28).

Contudo, desta intimidade, que é dom muito pessoal do Senhor, a força do sacramento da Eucaristia vai além das paredes das nossas Igrejas. Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspecto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa festa. Nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas estradas da nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas a nossa vida quotidiana à sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias estejam penetradas da sua presença. Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a solidão dos jovens e dos idosos, as tentações, os receios toda a nossa vida. A procissão pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa cidade: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo o raio da sua bênção abranja todos nós!

Na procissão de Corpus Christi, acompanhamos o Ressuscitado no seu caminho pelo mundo inteiro como dissemos. E, precisamente fazendo isto, respondemos também ao seu mandamento: "Tomai e comei... Bebei todos" (Mt 26, 26s.). Não se pode "comer" o Ressuscitado, presente na figura do pão, como um simples bocado de pão. Comer este pão é comunicar, é entrar em comunhão com a pessoa do Senhor vivo. Esta comunhão, este ato de "comer", é realmente um encontro entre duas pessoas, é deixar-se penetrar pela vida d'Aquele que é o Senhor, d'Aquele que é o meu Criador e Redentor. A finalidade desta comunhão, deste comer, é a assimilação da minha vida à sua, a minha transformação e conformação com Aquele que é Amor vivo. Por isso, esta comunhão exige a adoração, requer a vontade de seguir Cristo, de seguir Aquele que nos precede. Por isso, a adoração e a procissão fazem parte de um único gesto de comunhão; respondem ao seu mandamento: "Tomai e comei".

A nossa procissão termina diante da Basílica de Santa Maria Maior, no encontro com Nossa Senhora, chamada pelo querido Papa João Paulo II "Mulher eucarística". Verdadeiramente Maria, a Mãe do Senhor, ensina-nos o que significa entrar em comunhão com Cristo: Maria ofereceu a própria carne, o próprio sangue a Jesus e tornou-se tenda viva do Verbo, deixando-se penetrar no corpo e no espírito pela sua presença. Pedimos a Ela, nossa santa Mãe, para que nos ajude a abrir, cada vez mais, todo o nosso estar na presença de Cristo; para que nos ajude a segui-lo fielmente, dia após dia, pelos caminhos da nossa vida. Amém!

Fonte: www.vatican.va

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A PROVA SUPREMA DO AMOR DE DEUS

Assim, pois, justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. Se, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte de seu Filho, quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! Ainda mais: nós nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação.” (Rom 5, 1.10-11)

Quero proclamar sobre você esta palavra “Nós estamos em paz com Deus”

Por que nós nos gloriamos até das nossas tribulações? Nós não nos gloriamos por causa das dificuldades, mas sim porque nas nossas dificuldades é Cristo que está conosco. Você se gloria porque Jesus está com você, porque mesmo nas nossas dificuldades nos gloriamos em Deus e esperamos no Senhor.

Parece que diante de tudo o que aconteceu a 2000 mil anos atrás ainda temos a mesma atitude de Pilatos quando disse: “eu sou inocente do sangue deste homem”. Muitos perguntam: quem matou Jesus? Você matou Jesus, você desejou a morte d'Ele, você martelou os pregos nas mãos d'Ele, você gritou “Crucifica-o!.” Jesus morreu pelos nossos pecados.
Quantos pecados você cometeu na sua vida que somente você sabe? Jesus foi castigado por estes crimes, foi esmagados por causa dos nossos pecados e das nossas enfermidades. Diga: Eu matei Jesus!

Alguma vez na sua vida você teve coragem de dizer isso: Com os meus pecados eu o crucifiquei o meu Senhor.?

Deus o amou tanto que enviou o Único Filho gerado por Ele não para te condenar, mas para te salvar. Deus te amou tanto que o Bem mais precioso que Ele tinha compartilhou com você . Para ser resgatado por Jesus você precisa se perder nesta verdade: Jesus morreu por meus pecados. Porque, quem nunca se sentiu perdido na vida e correndo perigo não pode saber o que é ser resgatado. Se nós não compreendermos que fomos nós que causamos esta dor não podemos ser salvos.

Judas e Pedro tiverem o mesmo pecado, que foi o de traição. Mas há algumas diferenças: a primeira é que Judas traiu Jesus uma vez e Pedro três, a outra diferença é que Pedro experimentou o arrependimento e Judas o remorso. Nós temos dois caminhos, podemos brigar como fez Judas, que entregou sangue inocente e se matou, ou nós podemos fazer como Pedro, chorar amargamente os nossos pecados.

Gente chorar faz bem. Nós temos que aprender chorar os nossos mortos, porque a pessoa morre na sexta, enterra no mesmo dia e no sábado você tem que estar no trabalho. Então quando você perde alguém você não tem tempo para chorar, você não se permite ser fraco, isso faz mal, isso nos faz doentes. Até tem uma cultura de que homem não chora, e eu digo a você que homem que é homem chora sim porque homem tem coração.

De onde vem autoridade de pedro? Daquilo que ele experimentou, do choro e do arrependimento de seus pecados.

A Palavra de Deus inteira brada: Deus ama você!"


Todas as vezes que você fica contra você mesmo Deus faz justiça contra Ele e o nome disso é Misericórdia. Só um coração humilde e humilhado é capaz de experimentar essa Misericórdia na sua vida. Quem não tem um coração humilde se revolta contra Deus pelo menor sofrimento.

Existe uma história, de um professor de natação que nas noites mais quentes ele ia na escola que dava aula para mergulhar um pouco. Numa bela noite, como de costume, ele foi lá na piscina, subiu na plataforma para pular na piscina, e lá de cima ele percebeu que a sombra de seus braços abertos formavam uma cruz no fundo da piscina. Ele decidiu descer e colocar o pé naquela água da qual ele viu a sua sobra formar uma cruz, para a sua surpresa, quando ele desceu e colocou o pé na piscina não tinha água, naquele dia esvaziaram a piscina para limpá-la. Quase este professor se esborracha no fundo da piscina, mas literalmente ele foi salvo pela cruz.

Deus nos visita nos pequenos sinais da nossa vida. Você é salvo pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Cruz é o maior sinal do amor de Deus por nós. Agora não cabe mais pergunta, porque não existe mais explicação para o amor. Ele te amou e basta! Ele não quer tirar nada da sua vida a não ser a miséria na qual você se encontra. Não pense que foi você que amou Ele primeiro, não pense que você recebe benção porque você o ama. Não pense você que Jesus foi assassinado, e se fosse assassinado a culpa seria nossa. Não! Ele se entregou. Tem gente que pensa que Jesus foi empurrado para cruz, que Ele foi obrigado a carregá-la e morrer nela, quem pensa assim está esvaziando a mensagem do Evangelho, porque a cruz é a confissão do amor de Deus por você. A Bíblia inteira brada: Deus ama você !


Deus não depende do que você faz para Ele te amar. Se você pensa que precisa ser bom para Ele te amar está enganado, porque Ele já te amava antes de te criar. Ele já sabia de todos as atrocidades que você iria cometer, e mesmo assim Ele disse: “esse meu filho vale a pena mesmo com todas essas atrocidades”.

Jesus não apenas fala que o Pai nos ama, Jesus é o amor do Pai por nós. Você tem duvida disso? Deus é amor, e se Jesus é Deus então o amor de Deus pra mim e pra você é Jesus.


Em Jesus é Deus mesmo que fala conosco, no meio dos sofrimentos, no meios das provações, porque Ele se fez carne. Não tem dor e não tem sofrimento que Jesus n ão tenha sofrido e Ele sabe até os sofrimentos que você não sabe e não suportaria. Nós temos nas nossas casas um crucifixo muito bonito, mas na verdade ele parecia um “bicho” uma carne aberta pregada na cruz. Você e eu ainda não sabemos o que é esta dor.

Se mesmo quando você tinha revolta contra Deus, indiferença, se quando você não queria saber de Igreja, se mesmo assim Ele amou você derramando o Sangue d'Ele, quanto mais agora que você quer saber d'Ele mesmo sendo pecador você quer estar com Ele.

Tem duas coisas que comprovam a veracidade do amor, primeiro os benefícios para a pessoa que você ama, não é o seu companheiro de cerveja no botequim ou seu colega de prostíbulo, é aquela pessoa que às vezes você nem gosta, mas esta pessoa te quer bem e que você sabe que pode contar com ela no seu pior sofrimento. A outra coisa é que ama você quem sofre por você . Sabe quem te ama? Quem te atura, quem te aguenta, porque essa pessoa sofre por você e sofre com você.

Para que você não passasse a eternidade no inferno, Jesus foi lá por você. Você não nasceu para ir ao inferno. Deus fica louco só de saber que Ele pode te perder, porque você tem um Deus que é apaixonado por você !

O maior presente que você pode dar pra Deus hoje é perdoar os seus inimigos, não perdoar os inimigos da época de Cristo, eles não existem mais, agora é perdoar os seus inimigos e os inimigos da Igreja. A nossa religião é a religião do perdão.

Marcio Mendes-Canção Nova

sábado, 27 de março de 2010


A vida consagrada é uma doação feliz, ornada de obstáculos que nos leva ao amadurecimento de si e a um testemunho consciente que provoca quem nos assiste.

Partindo deste entendimento é que dou o testemunho de que é bom Ser de Deus neste mundo e sobretudo nos tempos atuais onde tudo e todos questionam quem somos e o que queremos, e por que agirmos de tal forma, reconheço que precisamos SER RESPOSTA ou melhor APONTAR PARA A RESPOSTA que um dia encontramos quando estavamos na mesma condição das pessoas que nos ver. Vida consagrada é vida separada, é vida eleita e doada para o povo cuja recompensa é a eternidade de está ao lado daquele que nos escolheu.

Desejemos a Cristo somente. Paz e Bem!

Rose - Consagrada da Comunidade Doce Mãe de Deus - Missão Maceió

domingo, 14 de fevereiro de 2010

"Alegria, alegria! O Rei está aqui!



"Alegria, alegria! O Rei está aqui! Alegria, alegria! Em cada coração!” Quem não se lembra, com saudade, desta música? Quem, dentre os que se lembram, consegue ainda acompanhá-la com os pulinhos de praxe, batendo palmas sobre a cabeça?

Certamente, nem todos. Os anos passam. Mas nossa questão aqui não são os pulinhos. É a alegria. Alegria e entusiasmo, entusiasmo e saída de si. Alegria e evangelização.
Existe algo que dê mais confiabilidade no que a pessoa está expressando do que a alegria e o entusiasmo? Algo que atraia mais do que a alegre doação da vida?

Na arrancada de evangelização que temos vivido e que estaremos vivendo mais intensamente a cada dia, a alegria e o entusiasmo são essenciais.
Claro! Também é essencial o testemunho de vida. Não adianta – até é capaz de estragar tudo – dizer uma coisa e viver outra; anunciar Jesus Cristo Vivo e viver eu mesmo morto.
A quantas anda minha “alegria de filho de Deus”, isto é, a alegria de saber que, de fato, sou amado por Deus de modo incondicional e gratuito e que, por mais que eu “apronte” o seu amor por mim não mudará, não diminuirá nem um milionésimo de milímetro?

A quantas anda minha “alegria da salvação”, a qual peço a Deus que me restitua no Sl 50/51? A alegria de saber que posso contar com a misericórdia de Deus e que, cada vez que me arrependo dos meus pecados e me confesso as graças da salvação agem com força total e, como diz o Salmo, além de me encher de alegria me preparam para anunciar a Verdade?

Como é que está o meu “alegrai-vos sempre no Senhor”? Na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, nas perseguições, nas incompreensões, nas críticas, nos julgamentos, na dificuldade financeira, nos desafios dos relacionamentos, alegro-me, sempre, no Senhor, com total certeza e absoluta confiança de que Ele está tomando conta, de que Ele está no comando? Nunca é demais, por via das dúvidas, ouvir o eco de São Paulo a si mesmo: “Repito, alegrai-vos!”

Como está o nosso “anunciar o Evangelho, para mim, é uma honra”? Esta é, como para São Paulo, uma das nossas alegrias? Um sentido para a nossa vida? Poderíamos dizer, como ele, “ai de mim se eu não anunciar o Evangelho?

Alegria! Alegria! O mundo anda meio sisudo, meio preocupado. Isso acontece porque ainda confia muito em si mesmo, ainda espera tudo de si, dos seus esforços, de suas lutas, de seu trabalho, de suas manobras, de suas opiniões.

Nossa alegria vem do fato de que Jesus está vivo, de que ressuscitou. É a continuação da mesma alegria ensandecida do Cenáculo quando Jesus se pôs entre os seus.
Nossa alegria vem do fato de que sabemos, por experiência, que o Pai cuida de nós, que faz chover sobre os justos e injustos, que nos dá o pão de cada dia, que perdoa nossas ofensas.
Nossa alegria vem do fato de sabermos que muito mais do que os pardais, muito mais que os lírios, valemos nós e que, confiantes no Pai querido de Jesus e nosso, podemos não nos preocupar com o dia de amanhã, de viver o Evangelho a cada dia, pois a cada dia basta o seu cuidado.

Nossa alegria vem de buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e sabermos que tudo o mais nos será dado por acréscimo.
É desta alegria que o mundo precisa. A alegria do Evangelho, a alegria da Boa Nova, a alegria da fé e da confiança em Deus. Longe dos discursos sisudos e intelectuais, das complicações e elucubrações de quem tem necessidade de ser importante, o homem do terceiro milênio precisa da simplicidade e alegria dos santos.

Se não conseguimos ser tão santos assim, tentemos cultivar a graça da simplicidade e alegria de quem, simplesmente, crê e, crendo, ama e, amando, age, e, crendo, amando e agindo, será salvo. Esta alegria contagia. Esta alegria faz os outros dizerem: “Mostra-nos o Senhor”, o Senhor da Alegria, o Senhor da Ressurreição, o Senhor de Pentecostes. Mostra-nos a fonte desta alegria.
E nós, como a tagarela Samaritana, como o bondoso Samaritano, vamos, com alegria e com obras, vivendo o amor de anunciar Jesus, o Evangelho da Salvação, a Alegria da Boa Notícia: “Deus é Pai, Ele te ama, Ele enviou Jesus, Jesus está Vivo e quer te conhecer pessoalmente. Isso aconteceu comigo. Por isso sou feliz.” Simples assim, alegre assim.

Mas, se não for alegre, não dá, não convence. Seria bom, talvez, voltar a cantar o “alegria, alegria” do Timbó, o “Alegrai-vos sempre, no Senhor, alegrai-vos no Senhor! Alegrai-vos, alegrai-vos, alegrai-vos no Senhor!” dos bons, simples e alegres velhos tempos, quando muitos dentre nós fomos conquistados pela alegria e entusiasmo daqueles que, um dia, nos evangelizaram.

Gocce

Emmir

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Criatividade no amor, consciência missionária e esperança para evangelizar!


Bem sabemos das diversas mudanças sociais, culturais e religiosas, nas quais estamos inseridos e as vivemos não sem grandes dificuldades. Tudo parece um rolo compressor! Muitas vezes achamos que estamos ficando para trás e passamos a querer acompanhar irresponsavelmente tudo o que o mundo nos propõe. Na caminhada cristã o processo requer alguns cuidados. Temos de nos atualizar, é verdade, mas não podemos perder o essencial, que é o “querigma,” a experiência de Deus nas nossas vidas, a amizade com Jesus Cristo Ressuscitado na oração, na Palavra de Deus e na vida sacramental. Essa experiência alimenta em nós a comunhão com a nossa vocação pessoal, com a Igreja e com a comunidade de fé na qual participamos. Nem sempre a “técnica e as estruturas” solucionam todos os problemas, pois, quando não as tivermos, que os nossos olhos nunca deixem de estar fixos no Senhor. “Sem Cristo a realidade fica turva, não é realidade, mas caricatura,” disse Bento XVI.

O tempo exige criatividade no amor, exige esperança e consciência missionária para acompanharmos as mudanças. A grande crise hoje na dimensão da fé e da vivência dos nossos apostolados está ligada ao “seguimento a Jesus Cristo, ser discípulo” (“Ide, pois: de todas as nações fazei discípulos”, Mt 28,19). As pessoas buscam experiências religiosas, mas têm dificuldades de um compromisso de vida e de doação mais consistentes. Daí que não crescem, não amadurecem no processo formativo, não criam sustentação nas convicções e perseverança na caminhada, isso vale para todos nós: cristãos batizados e engajados, como também para os que têm um compromisso vocacional. Consequentemente, ficamos “vulneráveis aos ventos de doutrinas e às circunstâncias.” Quando se trata das lideranças, dos pais na fé, as consequências se agravam porque se tornam referências confusas e não seguras para as pessoas mais fragilizadas; “não formam, mas deformam”; Tornam-se batizados que fazem da mensagem cristã um instrumento para servir aos seus interesses. Todos nós estamos sujeitos a isso!

Precisamos, nós que recebemos a missão de cuidar de vidas e conduzi-las para Deus, sobretudo, sermos discípulos para fazermos discípulos. Não podemos viver nossa missão de formadores de consciência e de evangelizadores de qualquer forma. Temos de estar cheios do Espírito Santo para então transbordarmos aos filhos de Deus, fazê-los também conhecerem a verdade, amarem-na como quem quer ser de Deus, seguindo o caminho do Seu Filho. Levar os que chegam a nós e os que buscamos, para Deus, eis a nossa preciosa missão! Temos de ajudar as pessoas na formação de suas consciências na esperança de que despertem do torpor que não as permitem vigiar e assim aprendam a vencer os assédios deste mundo, das ilusões e enganos de falsas felicidades e paraisos.

Para isso é preciso irmos além da obrigação e das limitações. Os que trabalham com formação são muito tentados ao desânimo, especialmente quando os frutos parecem não vir e as circunstâncias nos atropelarem. Vale o que diz o apóstolo Paulo: “Caminhamos pela fé, não pela visão” (2Cor 5,7). Não percamos o profetismo da nossa missão, que é o profetismo do Evangelho. Não percamos o fervor do Espírito Santo e dos Seus Carismas; não percamos o frescor e unção do nosso Batismo e do nosso Carisma. Somos pontes por onde as pessoas tocam na beleza e no mistério que é a vida de Cristo Sua Igreja. Nossa fé não é um peso, um conjunto de regras morais, mandamentos vazios; Ela é o caminho da liberdade, porque conhecer a Verdade nos faz verdadeiramente livres e felizes. A Igreja nos ensina que “a verdade tem um nome, Jesus Cristo.”

Tudo isto desembocará no compromisso para com os outros, custe o que nos custar (consciência missionária), propondo-lhes sempre a radicalidade do Evangelho, o ideal da vida cristã e a força do amor para viver uma vida diferente, “sim, – diz Moysés Azevedo – somos diferentes.” Precisamos ajudar as pessoas a se libertarem do engano do sensualismo, do consumismo e do racionalismo. O processo formativo de uma consciência é o que a fará livre porque implica: a conquista, a convivência, a oração, a formação, a Palavra de Deus, a vida sacramental e a doação de Si para o serviço. É bem verdade que vivemos hoje a tentação das “resistências quanto às opiniões pessoais”, é a ditadura do que “eu penso e sei”, juntando-se com as “as insatisfações diversas por causa do isolamento e do individualismo”, daí o que perigo de se “querer falar o que bem entende em nome da Igreja e da Comunidade”. Isso nos fará ver as coisas por fora e não por dentro, no límpido e reluzente brilho da Verdade vivida, por isso ensinada.

Nossa missão é alimentar o homem com a Verdade, Jesus Cristo. Não o Jesus Cristo que criamos com nossas idéias, mas o Jesus do Evangelho e que nos ensina a Igreja, sua esposa. Queremos dar o melhor de nós para que o homem conheça o amor do Pai, através da sabedoria que o mundo não pode dar ou comprar. A formação é um precioso dom nos confiado pela Providência divina em vista de uma missão, nunca da autopromoção.

A urgência da evangelização não nos permite a lamentação, pois somos temos de ser os primeiros a superarmos todo desânimo. A graça de Deus é que realiza isso em nós, a força do amor de Deus e o fogo que a Palavra de Deus gera em nós. Nossa esperança e alegria para com o que fazemos constituem o primeiro anúncio. Façamos a nossa parte e Deus cuidará de todas as nossas necessidades. Deixemos que o Espírito Santo nos ajude a viver o que ensinamos. Isso atrairá as pessoas para a Verdade. Não tenhamos medo, pois o Senhor está conosco, a Igreja está conosco, a quem temer? Coragem!

Que a Virgem Maria interceda para que o desejo e a decisão de evangelizar nunca desapareçam dos nossos corações!

Antonio Marcos
Missionário na Comunidade de Vida Shalom

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou.




O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o mostrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele subia mais alto e aparecia mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que lhe surgiam pela frente, de acordo com o que ele próprio afirmava: Esqueço-me do que já passou e avanço para as coisas que estão à minha frente (cf. Fl 3,13). Sentindo a morte já iminente, incitava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18). Frente aos perigos, às injúrias e aos insultos, igualmente se alegra, e escreve aos Coríntios: Sinto complacência nas minhas enfermidades, nos ultrajes, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas, segundo afirmava as armas da justiça, mostrava que disto lhe vinha um grande proveito.

No meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias, triunfando de todos os seus assaltos. E, em todo o lado, sofrendo pancadas, injúrias e maldições, como se fosse conduzido em cortejo triunfal, cumulado de troféus, nelas se gloriava e dava graças a Deus, dizendo: Sejam dadas graças a Deus, que sempre triunfa em nós (2Cor 2,14). Avançava ao encontro da humilhação e das ofensas que tinha de suportar por causa da pregação, com mais entusiasmo do que o que pomos nós em alcançar o prazer das honras; punha mais empenho na morte do que nós na vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava sempre mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma única coisa o assustava e lhe metia medo: ofender a Deus; e uma única coisa desejava: agradar sempre a Deus.

Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto considerava-se o mais feliz de todos os homens; sem isto para nada lhe servia a amizade dos senhores e dos poderosos. Preferia ser o último com este amor, isto é, ser do número dos réprobos, do que encontrar-se no meio dos homens famosos pela consideração e pela honra, mas privado do amor de Cristo.

Para ele, o maior e único tormento era separar-se deste amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, este o infinito e intolerável suplício.

Gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens; e fora disto, em nada punha tristeza ou alegria. De tudo o que se pode ter neste mundo, nada lhe era agradável ou desagradável. Desprezava todas as coisas que admiramos, como se despreza a erva apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como mosquitos.

Considerava como jogos de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, contanto que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo.

Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo.
(Hom. 2 sobre os louvores de S. Paulo: PG 50, 477-480) (Séc. IV).

Oração de São Paulo:

“Por causa disso, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera a ele glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre”. Amém (cf. Efésios 3, 14-21).

“Tudo posso Naquele que me dá forças!” Fl 4,13 esse era o segredo de são Paulo.

Minha benção fraterna.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.

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