domingo, 14 de agosto de 2011

Feliz na castidade



Sou Jovem: feliz na castidade

Amigos jovens! Torno-me um de vós com o desejo de compreender vossos anseios mais profundos. Faço a cada dia uma opção de escutar e tentar dar pistas àqueles que se abrem para uma palavra encorajadora.

Vivemos numa sociedade atual marcada pela subjetividade e a globalização. Ao mesmo tempo, busca-se a realização do próprio “eu” e a necessidade de viver em grupo aceitando tudo aquilo que todos falam ou fazem. Busca-se também a felicidade, mas nem sempre está firmada pela ética do bem comum, encontrando sua satisfação na cultura hedonista.

É preciso admitir que um jovem no século XXI se depara em uma “mudança de época” com muitas expectativas positivas, mas também com dúvidas a respeito dos comportamentos. As decisões e escolhas na fase da juventude atual se baseiam nas experiências de relacionamentos. Por outro lado, diante de tantas mudanças em tempo curto de passagem, torna-se mais complexo identificar o que é certo e o que é errado, dependendo do referencial que se toma como base.

Castidade é sinônimo de felicidade. O feliz é aquele que está em harmonia dentro de si. Ele vê as coisas ao seu redor com gratuidade. Sabe discernir o que é para ele e o que não convém para sua felicidade.

Agradeço a Deus pelos inúmeros jovens que tenho encontrado nestes últimos anos. Aqueles que se dedicam com radicalidade por uma vida de pureza. Tenho escutado partilhas edificantes daqueles que, na experiência do namoro ou não, se preparam para um digno matrimônio futuro. Suas vidas são modelos de jovens castos.

É preciso dizer daquilo que ameaça a real felicidade na juventude contemporânea. Experiências como ficar está na moda entre os jovens. Essa situação facilmente já aconteceu com a maioria. Os resultados dessa prática são: mães solteiras, famílias destruídas, meninas que estão fazendo aborto, doenças sexualmente transmissíveis, depressões, e tantas mais. Outra degradação do ser humano é a prostituição que muitas vezes é tratada como um comércio ou uma indústria que reduz o rico mistério da sexualidade humana a uma simples comodidade. O erotismo e a pornografia, que distorce e até vulgariza o afeto entres as pessoas, está obrigando jovens a serem obscenos, sem preservar a intimidade. Outro problema que afeta os jovens é a dependência da prática da masturbação, que pode ser sinal de que algo internamente na pessoa não vai bem. Esses e outros são desafios que enfrentamos os quais devemos conhecê-los e lutar contra eles.

Ser puro é ser casto, é guardar a entrega total do corpo para quem nos ama de verdade e com quem temos a certeza de poder viver para sempre. Somente o amor verdadeiro pode fazer alguém dar-se por inteiro, inclusive na dimensão da corporeidade. O verdadeiro amor busca a união com a outra pessoa. A fé e as orações muito nos ajudam na perseverança e serenidade na fidelidade da capacidade de amar na verdade. Somos convidados a manter pura nossa vida, nos relacionarmos na segurança do verdadeiro amor.

Que o Senhor nos ajude a não desperdiçarmos o tempo de nossa juventude no cansaço de uma vida sem ideais. À Nossa Senhora, jovem de Nazaré, confiemos a conservação da pureza original e que realizemos a vontade Daquele que nos criou.

Pe. Márcio José Costa Teixeira

(Comunidade Doce Mãe de Deus)

Twitter: @pemarciocdmd


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Oh, meu Francisco, não deves mais chorar!



 

Ainda nos anos 80, Frei Felipe ensinou aos noviços uma música tradicional italiana que, a cada ano que passa, toma um novo e mais profundo sentido para nós, ensinando-nos muito sobre a beleza da amizade, dos afetos e da benevolência do Deus que se fez homem como nós:
Chorando, Francisco disse um dia a Jesus:
“Amo o sol e as estrelas, amo Clara e as irmãs,
amo o coração do homem, amo todas as coisas belas.
Oh, meu Senhor, me deves perdoar,
pois só a Ti eu deveria amar.”

Sorrindo, o Senhor respondeu-lhe assim:
“Amo o sol e as estrelas, amo Clara e as irmãs,
amo o coração do homem, amo todas as coisas belas.
Oh, meu Francisco, não deves mais chorar,
porque eu amo aquilo que tu amas.”

Em português a rima certamente não fica lá essas coisas, mas a mensagem ultrapassa em muito esta pobreza poética. Francisco chora porque, além de amar a Deus, ama a natureza – o sol e as estrelas. Culpa-se porque, além de amar a Deus, ama as pessoas – Santa Clara e suas irmãs. Penitencia-se por ser apaixonado pelo homem em sua beleza interior. Acusa-se por amar o que é belo. Aos prantos, pede perdão a Deus pois está convencido que só a Ele deveria amar. Julga-se impuro, ingrato, pecador, por amar outras coisas além de amar a Deus.
O sorriso com o qual lhe responde o Senhor contrasta com o pranto do Pobrezinho de Assis. É fácil imaginar seu rosto surpreso quando ouve o Senhor responder-lhe, sorrindo, que também Ele, o Senhor do Universo, o Deus Altíssimo e Todo Poderoso, também Ele, o Onipotente, o Deus Único, também Ele ama a natureza que criou; ama Clara e as irmãs, que elegeu; ama o coração do homem, que habita. Também Ele, a Beleza Suprema, a Suprema Verdade, ama todas as coisas belas.
Há, entretanto, uma razão muito especial para o Senhor amar todas essas coisas e pessoas. Uma razão acima do fato de serem suas criaturas, seus filhos, sua habitação: é que essas coisas, além de amáveis pelo que são, são amadas por Francisco, seu amado poverello. Porque Francisco ama o Senhor, ama todas as coisas boas e belas, pois tudo o que é bom e belo vem de Deus e o reflete. Porque o Senhor ama Francisco, ama tudo o que ele ama, pois amando o que o Senhor criou, ele o ama acima de todo o criado.
Há em tudo isso uma ternura difícil de expressar. Francisco, em sua inocência, crê pecar por amar aquilo que reflete o amor de Deus, mas que não é Deus. Por isso chora. O Senhor, em sua benevolência, recebe o amor inocente de Francisco e o corrige, explicando que também Ele, o Senhor, ama o que é bom e o que é belo. Deixa entrever que beleza e verdade se supõem. Com seu sorriso, consola o pranto de Francisco. Ensina-lhe, assim, algo tão singelo que por vezes escapa às nossas complicações altivas: o maior mandamento não é amar somente a Deus e não ter afeto por nada ou ninguém; o maior mandamento é amar a Deus, amar o que é bom e belo e, exatamente por isso, amar a Deus acima de todas as coisa boas, belas, verdadeiras e amáveis.
Reconhecer que Ele, que é Amor, é o autor de tudo o que é amável e que amar o que o reflete é uma forma terna, atenta e delicada de amá-lo em tudo e em todos. Em linguagem poética, Francisco é lembrado de que o maior mandamento é amar a Deus acima de todas as coisas que se ama e não excluindo ou não amando as coisas e as pessoas.
Dá o que pensar, essa poesia italiana... Lembra São João: “quem diz que ama a Deus, mas não ama seu irmão...” Bem, você sabe: é mentiroso. Jesus não permitiu que Francisco caísse nessa “mentira”, nessa espiritualidade falsa que deixa de fora os afetos, condenando-os ao invés de utilizá-los para a glória de Deus, tudo ordenando segundo o amor. Sem afetos, o homem não é humano e só o homem “humano”, segundo a estatura de Cristo, com seu corpo, intelecto, afetos, espírito, é, verdadeiramente, espiritual.
Dá o que pensar, também, o modo maravilhoso como Deus se compromete com Francisco. O modo como Ele curva-se sobre seu eleito e lhe é fiel. O modo como Ele, que é o Deus Altíssimo do Poverello, não despreza seus afetos, mas une-se a eles e, assim, fá-los belos, eleva-os e reafirma a capacidade de amar e de contemplar com que criou a ele e a cada um de nós. Ordena, com sua ternura, os afetos de Francisco segundo a ordem do amor: “Também eu, meu Francisco, amo essas coisas. Sou um contigo. Amo o que tu amas, pois tu me amas acima de tudo o que amas”.
Frei Felipe está, agora, no céu. Deve estar sorrindo, com seus olhos verdes – agora não mais míopes – cantarolando para cada um de nós, ternamente: O mio figliolo, non devi pianger più, perchè Dio ama quel che ami tu... Deus lhe pague, Frei Felipe. Você talvez não tenha tido o saber das academias, mas deixou-nos a sabedoria de quem acolhe, humildemente, a própria humanidade e oggi, non piange più. Auguri!

Emmir Nogueira Co-Fundadora da Comunidade Shalom

segunda-feira, 18 de abril de 2011

OS QUATRO GRITOS

Na liturgia deste Domingo de Ramos, fomos surpreendidos com quatros gritos que ecoaram no coração da Igreja com sua respectiva importância. No primeiro grito, ainda na benção do ramos, vemos que o povo aclamava Jesus em sua entrada em Jerusalém: “Hozana, bendito o que vem em nome do Senhor!”. Em seguida, já na narração da Paixão, vemos este mesmo povo gritando: “Crucifica-o!”. Nestes dois gritos, o que os distingue? O que teria feito o povo mudar radicalmente de idéia em tão curto espaço de tempo? São questionamentos que levantamos, para conseguir chegar a um desfecho nos dois últimos gritos, agora dados por Jesus: “Helí, Helí, Lamá Sabactâni? (Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?)” e o último grito, no qual Ele rende o Espírito.
O grito do povo expressa uma grande oscilação; a partir daquilo que o texto nos sugere, gostaria de colocar as frequentes mudanças de idéias e concepções que nós seres humanos sofremos, assim, os gritos do povo, representam a infidelidade e a inconsistência da humanidade. Já os gritos de Jesus revelam num primeiro instante um Deus que é 100% homem e como homem se sente só, porém, não permite que sua solidão desvie seu olhar de sua missão; o segundo grito, porém, revela o homem que é 100% Deus, e que permanecendo fiel ao projeto do Pai dá-nos as vias pelas quais podemos ser fieis.
Proponho, portanto, a partir destes quatros gritos uma conexão que nos possibilite vivenciar uma semana santa diferente. Somos aqueles que vão do êxtase a agonia num curto espaço de tempo, mas nos gritos de Jesus, percebemos que seu êxtase se dá exatamente na sua agonia, pois, sendo fiel ao seu projeto salvífico, mostra que o sofrimento não é o fim, mas o princípio, uma vez que, o sinal de maldição para os Judeus se torna o grande sinal de redenção para a humanidade inteira.
Que gritos estamos prontos a dar neste início de semana santa? O grito do povo que muda de idéia diante de qualquer provação? Ou o grito de Jesus, que permanece fiel mesmo diante da grande provação? Escolhamos e tenhamos uma feliz Semana Santa!
Deus vos guarde!
Helton Jonatas
Consagrado na Comunidade de Vida Doce Mãe de Deus

domingo, 16 de janeiro de 2011

As lições que aprendi com o lápis!

Imagem de Destaque

Certa vez, alguém, bem inspirado, disse que a vida é um eterno aprendizado, no qual os dias sempre surgem como a oportunidade de aprendermos novas lições. Nestes dias, por exemplo, tenho sido particularmente sugerido por alguns ensinamentos do lápis. Inicialmente, fiquei fascinado com uma frase de Madre Teresa de Calcutá, que olhando para sua vocação, conclui: “Não sou nada, senão um instrumento, um pequeno lápis nas mãos do meu Senhor, com o qual Ele escreve aquilo que deseja”. Quando me deparei diante desse fragmento, fiquei surpreso por encontrar tantas lições veladas em um simples objeto, lições importantes que, se bem aprendidas, nos sugerem uma gama de significados para a nossa vida, nossa história, nossa vocação.
Não gostaria de ser metódico ao discorrer sobre os ensinamentos apresentados pelo lápis, contudo, penso que inevitavelmente o serei, pelo desejo de juntos explorarmos sua riqueza, tal como o garimpeiro se dispõe quando encontra uma mina. Com o lápis aprendemos, primeiro: a lição da confiança e do abandono em Deus. Ele nos sugere que podemos fazer grandes coisas, mas não devemos nos esquecer de que existe uma Mão que guia nossos passos, uma Mão que deseja nos conduzir. É preciso nos submetermos a essa Mão, deixando-nos ser conduzidos e orientados por ela, ainda que não seja do modo como gostaríamos que fosse. Um lápis, sem uma mão que o tome e o oriente, não tem muito sentido.
A segunda lição:  na vida da gente, depois de algum tempo tempo, precisamos ser apontados. Passar pelo apontador não deve ser muito agradável ao lápis, mas para que a ponta fique evidente e apropriada para a escrita, ele precisa se deixar cortar. E deixar-se "cortar na carne". É bem verdade que temos medo do "apontador", e isso acontece porque sabemos que afiar a ponta significa quase sempre cortar excessos, aparar o que está sobrando, tirar o que não precisamos mais, e isso é muito difícil, embora seja necessário para o nosso crescimento. A beleza escondida nessa lição nos leva a uma terceira: ao passar pelo apontador, o lápis foi cortado em sua parte externa, mas também em seu interior. O grafite também foi modelado, renovado. Passou por um processo educador, porque educar, ex-ducere, quer dizer, em latim, "evocar a verdade"; tirar, extrair, trazer para fora o novo. O que realmente importa no lápis, não é simplesmente a madeira ou seu aspecto externo, mas sobretudo, o grafite que está dentro. Para que a escrita fique perfeita, a ponta precisa ser feita por inteiro, daí a importância do cuidado com aquilo que acontece em nosso interior.
A quarta lição: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. A necessidade da borracha nos faz abandonar atitudes e vícios, nos faz mudar comportamentos, mentalidade, convicções... E nos faz olhar em outras direções, pedir perdão, voltar atrás, recomeçar, superar o egoísmo e a autossuficiência. É interessante como, de um modo admirável, o lápis nos ensina a necessidade que temos da "borracha" quando estamos diante do erro.
Finalmente, a quinta lição é que o lápis sempre deixa uma marca. Tudo o que fazemos, de algum modo, marca as pessoas, e marca, sobretudo, nós mesmos. A qualidade dessas marcas sempre resulta das escolhas que fazemos diante daquelas outras lições. É preciso deixar as boas marcas para as quais o lápis foi gerado. Se ainda não as [boas marcas] deixamos, é tempo de recomeçar. É tempo de escrevermos uma nova história. É preciso, tal como o lápis, nos abandonarmos. O tempo é agora. O tempo é neste dia que se chama HOJE. Um Bom Mestre está sentado à mesa e à Sua frente há um lápis, um apontador, uma borracha e uma folha em branco assinada. Ele olha para a folha, toma o lápis em Sua  Mão e concorda com Santo Agostinho dizendo: “Ter fé, isto é, se abandonar, é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela com o lápis da nossa vida o que quiser”.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano novo! Vida nova!


Queridos irmãos e irmãs, iniciamos mais um ano e sempre neste tempo, renovamos as nossas esperanças, fazemos também muitas promessas, para que os erros cometidos no passado, não voltem a acontecer. Mas, para que isso aconteça de fato, precisamos abrir ainda mais o nosso coração para Deus e assim sermos conduzidos por Sua luz, a fim de que as trevas não atrapalhem a nossa ventura.
Na festa que celebramos hoje, a Epifania do Senhor (Primeira manifestação de Deus), o Deus da luz nos convida a irmos ao Seu encontro e diante Dele, abrirmos o cofre do nosso coração, entregando a Ele o mais valioso bem que todos nós possuímos a VIDA. Deus, em seu profundo amor acolhe a nossa oferta e nos oferece muito mais do que ofertamos. Pois, a verdadeira alegria consiste em dar-se plenamente a Deus.
Nesta semana que passou, a última do ano de 2010, uma irmã de comunidade escreveu uma frase no seu twitter que me chamou atenção: “Estou sem destino na virada”. Ela se referia ao local que passaria o reveillon. Entretanto, eu interpretei esta frase de uma maneira diferente, não no caso dela, que passou o final de ano em nossa Casa Mãe (Discípulo Amado), mas na vida de muita gente que não percebe o grande amor de Deus.  É que muitas pessoas realmente estão sem “destino”, não apenas na “virada”, como também na vida e por isso, não conseguem crescer e serem felizes, elas pensam apenas, no hoje e não conseguem construir nada, porque são imediatistas.
O meu e o seu destino, está em fazer unicamente a vontade de Deus. Nós fomos predestinados a vivermos em Deus. Sem Ele não produziremos frutos que permaneçam e sem a sua força e o seu amor cairemos na solidão, definitivamente.
“Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice és tu que garantes o meu futuro” Sl 15,5
Entregando-nos a Deus, encontraremos Nele o verdadeiro destino do ser humano: Ser Filho de Deus , perceberemos que neste mundo, só há plenitude de vida, se estivermos unidos a Ele. Portanto, sigamos a Cristo seguindo a estrela de Belém, que é a Igreja, para o adorarmos em espírito e em verdade. De joelhos diante Dele, ficaremos de pé nos momentos difíceis que, provavelmente, iremos nos deparar neste novo ano. Pois, ainda caminhamos na penumbra da fé.
Que Maria, a Doce Mãe de Deus, rogue por nós, nos conduzindo no caminho da paz.
Deus abençoe a todos e um Feliz Ano na benção do Senhor.

Pe. José André CDMD
Twitter @padrejoseandre1

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O homem está vivo enquanto espera


Bento XVI – Oração do Ângelus, Primeiro Domingo do Advento

Caros irmãos e irmãs!

Hoje, primeiro domingo do Advento, a Igreja inicia um novo Ano litúrgico, um novo caminho de fé, que, de uma parte, faz memória do evento de Jesus Cristo e, de outra, abre-se ao seu cumprimento final. E justamente desta dupla perspectiva vive o Tempo do Advento, olhando tanto para a primeira vinda do Filho de Deus, quando nasce da Virgem Maria, como para o seu retorno glorioso, quando virá para “julgar os vivos e os mortos”, como dizemos no Credo. Sobre esse sugestivo tema da “espera” eu gostaria de refletir brevemente agora, porque se trata de um aspecto profundamente humano, em que a fé se torna, por assim dizer, una em nossa carne e nosso coração.

A espera, o aguardar, é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. A espera é presente em milhares de situações, das menores e mais banais às mais importantes, que nos comprometem totalmente e no profundo. Pensemos na espera de um filho da parte dos pais; a de um parente ou de um amigo que vem nos visitar de longe; pensemos, para um jovem, na espera do êxito de um exame decisivo, ou de uma entrevista de trabalho; nas relações afetivas, a espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, ou da acolhida de um pedido de perdão... Pode-se dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto em seu coração é viva a esperança. E por sua esperança o homem se reconhece: a nossa “estatura” moral e espiritual se pode medir por aquilo que esperamos, por aquilo em que temos esperança.

Cada um de nós, portanto, especialmente neste Tempo que prepara o Natal, pode-se perguntar: que coisa eu espero? O que, neste momento de minha vida, clama em meu coração? E essa mesma pergunta se pode colocar no âmbito da família, da comunidade, da nação. O que aguardamos, em conjunto? Que une nossas aspirações, o que nos junta? No tempo precedente do nascimento de Jesus, era fortíssima em Israel a espera do Messias, ou seja, de um Consagrado, descendente do rei Davi, que libertaria finalmente o povo da escravidão moral e política e instauraria o Reino de Deus. Mas ninguém poderia imaginar que o Messias pudesse nascer da uma jovem humilde como era Maria, esposa prometida do justo José. Nem mesmo ela poderia pensar, apenas no seu coração a espera do Salvador era tão grande, a sua fé e a sua esperança eram tão ardentes que Ele pôde encontrar nela uma mãe digna.

Além disso, o próprio Deus a havia preparado, antes dos séculos. Há uma misteriosa correspondência entre a espera de Deus e a de Maria, a criatura “plena de graça”, totalmente transparente ao plano de amor do Altíssimo. Aprendamos dela, Mulher do Advento, a viver o dia a dia com um espírito novo, com o sentimento de uma espera profunda, que só a vinda de Deus pode preencher.

Fonte: Publicado no ZENIT.org

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

IDE E EVANGELIZAI 2010


“Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa nova para toda humanidade.” (Mc 16,15)

Desde que me tornei missionário Doce Mãe de Deus este versículo faz parte da minha vida diariamente. Sou missionário, sou Padre, e exerço meu ministério de forma mais atuante nas cidades de Serra da Raiz, Duas Estradas e Lagoa de Dentro há seis anos, na Diocese de Guarabira, no Estado da Paraíba.
Na realidade este mandato evangelizador de Jesus é para todos os batizados. Nós recebemos no dia do nosso batismo este envio para sermos entre os povos sal e luz, por isso mesmo a Igreja (comunidade de batizados) é essencialmente missionária, e ela encontra a sua real vocação quando vive a missão.

Os Bispos da América Latina e do Caribe reafirmaram na Conferência de Aparecida a missão da Igreja no mundo de hoje, convidando esta mesma Igreja e os seus ministros a uma verdadeira conversão pastoral em suas estruturas e metodologias, ou seja, ou ela assume este papel ou deixa de ser obediente ao seu fundador Jesus.  Não podemos apenas ser missionários apenas no mês de outubro, esta missão como Igreja é permanente!
Jesus convida a todos para segui-lo! E como Rei e Senhor que é, manda a todos em missão, envia a cada um de nós!
Peçamos, portanto, ao Espírito Santo esta força missionária que já existe em nós pelo batismo, e busquemos anunciar com a vida Jesus e a sua mensagem.

Deus abençoe a todos.
Pe. José André, CDMD.

FOTOS DO IDE E EVANGELIZAI 2010
Lagoa de Dentro/PB

Fruto da providência divina o ÔNIBUS está preparado para partirmos com destino a Lagoa de Dentro/PB

Passeio ciclistico com as crianças do Projeto Mãe da Ternura

Fomos acolhidas por Mazé e Ana

Chegamos para Missão: Neves, Vitória e Ana Cláudia

Todos em comunhão para vivermos o mistério e a força da missão

Recepcionados com um lauto café da manhã, fruto da partilha das famílias


Crianças do Projeto Mãe da Ternura cansados depois do Passeio Ciclístico


Cléo membro do Emanuel que se doou para deixar as crianças e os adultos com o coração e a cabeça mais bonitas

Williane em sua missão, aferindo a pressão dos idosos

A alegria de sermos um neste Carisma e proclamarmos o amor de Deus: Ana, Neves, Vitória, Celise, Dilane e Noé

Até Mazé aproveitou o momento para cortar suas madeixas


Oficina de reciclagem

As crianças aprenderam como aproveitar o fundo da garrafa pet e fazer uma tartaruguinha


Cleuma, um sorriso novo, uma esperança nova. Conversando com as crianças e suas mães sobre higiene bucal.





Obrigado Ana e Mazé por serem sinal da providência de Deus










Nucleo de Eventos presente e atuante no Ide. Deus seja louvado pela vida de meus irmãos: Neves, Fabiana, Vitória e Ana

Santa Missa presidida por Padre Joaquim


Povo de Deus rezando

A força dessa ação missionária Cláudia e Suênia


Vitória e Monsenhor José Andre



domingo, 17 de outubro de 2010

A oração é um ato de insistência, de quem pede Àquele que é capaz

O mundo é das incertezas. Não podemos ter plena segurança na fidelidade das pessoas. O que conta e nos dá a plena firmeza é a fé, caminho de certeza da justiça divina. Só quem acredita em Deus consegue viver de mãos erguidas, na confiança de um mundo melhor.


Moisés teve uma atitude bonita, pois colocou-se na posição de súplica a Deus, pedindo para que seu povo vencesse na guerra. Mesmo na condição de chefe, sentiu seus limites e passou a confiar na força de Javé. Enquanto permanecia de mãos erguidas para o alto, seu povo vencia a luta.


No mundo dos mortais, não basta às pessoas terem conhecimento teórico e técnico, porque nem sempre a ciência e a prática conseguem emitir uma certeza total. Estamos na condição temporal, no mundo que deve ser sempre construído e caminhar na busca da perfeição da obra da criação.

Corremos o risco do endeusamento de nós mesmos, mas só Deus é perfeito e capaz de nos dar plena segurança e certeza. Aqui está o sentido da oração, da dependência que temos de algo perfeito, que só é encontrado em Deus. Ele é o juiz da perfeição e da total segurança.


A oração é um ato de insistência de quem pede Àquele é capaz de responder com segurança. Deus é como um juiz, que toma partido do lado de quem precisa e de quem está vivendo no limite de suas necessidades e de sua dignidade.

O juízo de Deus não tem parcialidade. Ele atende a quem tem interesse pelos valores do Reino, olha para aqueles que sofrem as injustiças causadas pelas maldades do mundo, leva em conta as atitudes de insistência na vivência da fé.


Nem sempre temos as forças necessárias para cumprir as tarefas que o mundo exige, e não é fácil sentir a mão protetora de Deus na vida cotidiana. Por isso o nosso coração deve ser sempre confiante na ação divina. Mãos ao alto em atitude indefesa, desarmada, frágil e vulnerável. A fé é a fonte da oração.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

sábado, 16 de outubro de 2010

PARÁBOLA DO AQUARIO


11627aquario Era uma vez um aquário onde viviam peixes grandes, médios e pequenos. Ali imperava a lei do mais forte. Os alimentos atirados pelo Criador eram disputados. Primeiro comiam os maiores. O que sobrava destes era devorado pelos médios. E o que sobrava dos médios era devorado pelos pequenos. Na falta de outro alimento, os grandes devoravam os médios e estes, por sua vez, devoravam os pequenos. Ora, havia um peixinho muito pequenino, que morava no fundo do aquário, onde estava a salvo da fome e da gula dos demais. Ali, naquelas profundezas, poucas vezes caía algum alimento. Mas, o peixinho, ao invés de maldizer a sorte, enganava a fome distraindo-se a contemplar os desenhos dos azulejos, as plantinhas, a areia branca e as pedrinhas brilhantes que enfeitavam o fundo do aquário. Um belo dia, o peixinho descobriu um ralo, por onde saía a água do aquário. Admirado, exclamou: "Ué! Então este aquário não é tudo? Existe outro lugar onde se pode viver? Para onde irá essa água que não pára de correr? E, o peixinho, curioso, tentou passar pelo ralo. Como os vãos fossem muito estreitos, ele se dispôs a fazer sacrifícios e emagrecer até passar para o outro lado. Foi assim que, dias mais tarde, bem mais magro e ainda assim perdendo algumas escamas na travessia, ele conseguiu seu intento. E foi assim que ele conheceu, pela primeira vez na vida, o que é a água corrente. - Uma delícia! Uma maravilha! O peixinho ia pulando feliz pelo rego da água, deslumbrado com tudo. E o rego da água levou o peixinho até uma enxurrada... Na enxurrada, mais água ainda. E a correnteza mais forte. Não era preciso nadar. Bastava soltar o corpo. Que maravilha! Quantos peixinhos livres! Quantos barquinhos de papel! E o sol??? Que coisa linda! E aqueles bobos, lá no aquário, pensando que aquilo fosse tudo, aquela água suja e parada. Coitados!!! E a enxurrada levou o peixinho a um riacho. E o peixinho nunca pudera imaginar tanta água de uma vez. Nunca vira crianças nadando. Nunca vira mulheres lavando roupa e cantando. Nunca pudera ver tantas plantas, tantas flores, tanta beleza junta! E julgou que estivesse delirando. Quanta comida, quanta água, quanto lugar onde viver em paz, quanta felicidade para todos! Ah! Aqueles pobres diabos lá no aquário ... se vissem tudo isto! E o riacho levou o peixinho até o rio. Não. Não é possível! Isto não existe! Olha quanta água! Parece não ter fim. Quanta comida! Quanto sol, quanta luz, quanta beleza! E foi assim, extasiado, maravilhado, deslumbrado, quase não acreditando em seus próprios olhos, que o peixinho, levado pelo grande rio, chegou enfim ao mar. Ali, diante daquele infinito de águas, de alimentos, de luz, de cores, de plantas, de um mundo de coisas maravilhosas, diante daquela majestade toda, o peixinho chorou. Chorou comovido, agradecido, porque a alegria era tanta que não cabia dentro de si. E chorou, sobretudo, de pena de seus coleguinhas, grandes e pequenos, que haviam ficado lá no aquário, naquelas águas poluídas, escuras, pardas, estragadas, espremidos, pensando viver no melhor dos mundos. E o peixinho, então resolveu voltar e contar a boa nova a todos. E o peixinho voltou. Do mar para o rio (sacrifício, porque agora a viagem era contra a correnteza). Ele nadou para o riacho, para a enxurrada e da enxurrada para o rego e do rego para o fundo do aquário. E atravessou o ralo de volta... Desse dia em diante, começou a circular pelo aquário um boato de que havia um peixinho contando coisas mirabolantes, falando de um lugar muito melhor para viver, um lugar de amor e paz, um lugar de fartura infinita, onde ninguém precisa fazer sacrifício, nem se devorar uns aos outros. E todos acorreram ao fundo do aquário para saber da novidade. Os grandes, os médios, os pequenos, todos os peixes queriam saber o que era preciso fazer para chegar a esse mundo maravilhoso... E o peixinho, mostrando-lhes o ralo, explicou, que para chegar ao outro mundo, era preciso algum sacrifício, pois a passagem era realmente estreita. Segundo o tamanho, uns teriam de sacrificar-se mais, outros menos. E os peixes pequenos passaram, a seguir, a escutar o peixinho, enquanto os médios e os grandes, sobretudo, consideravam-no maluco, um visionário. Onde já se viu? Impossível passar por aquele vãozinho tão estreito! Só um louco mesmo! E a história do peixinho se alastrou. De tal maneira se alastrou e pegou, que modificou a vida no aquário e perturbou o sossego dos peixes grandes e médios, que estes acabaram por matar o peixinho para acabar com aquelas besteiras. Mas o peixinho não morreu. Continuou vivendo, pois sua mensagem imortal, passava de geração em geração... Até hoje, a história do peixinho é lembrada no aquário. Até hoje, há os que crêem. E até hoje há os passam pelo ralo e os que jamais conseguirão fazê-lo, porque, quanto maior e poderoso, tanto maior será o sacrifício exigido. E por isso está escrito:
"EM VERDADE, EM VERDADE VOS DIGO: É MAIS FÁCIL UM CAMELO PASSAR PELO FUNDO DE UMA AGULHA DO QUE OS RICOS ENTRAREM NO REINO DE DEUS"
Ei Filoteu! tu te lembras da passagem do Evangelho que diz: "A porta que conduz à vida é estreita"?  Pois é! É isso mesmo! Nada de moleza! Cara, tu tens que ir com gosto e gás para dar conta do recado! Morou? Sacou? uau! Vá nessa que é bom à bessa!

Um abraço e bênção do Padre.
                                                                                                                                                                               Pe. Antonio Marcos Chagas
Sacerdote, membro da Comunidade Católica Shalom (comunidade de aliança)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nada te Perturbe

 


Quer conhecer um roteiro infalível para seu dia a dia? Leia com atenção:
Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa!  Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta.
Escrito há 500 anos, essa poesia de Santa Teresa de Jesus continua a ensinar o essencial: Só Deus basta! Mas, o que isso significa concretamente?
Vivemos sobressaltados, preocupados. Inquietos, passamos o dia tentando resolver mil coisas. Ansiosos, não conseguimos dormir bem. Preocupados, acabamos por meter os pés pelas mãos no desejo de evitar que aconteça o que nós consideramos “o pior”. Estressados, acabamos por nos irritar contra tudo e todos. Gritamos no trânsito, gritamos em casa, desmoronamos de cansaço.
O problema está, entre outras coisas, em achar que sabemos o que é o “melhor”  e “pior”para nós. Uma vez estabelecido o que consideramos nos convir ou não, tomamos as rédeas para determinar o que consideramos “melhor”. Ocorre que tudo, mas tudo mesmo, passa e o que ontem nos parecia “o melhor”, hoje é, visivelmente, “o pior”.
A raiz da inquietação, estresse, preocupação e ansiedade que aos poucos nos matam, contudo, reside além do fato de tudo passar, reside na fé.
Há a fé  que acredita em Deus e reza, contrita, o “Creio em Deus Pai”. Acreditar desse jeito, afirma São Tiago, até os demônios crêem e tremem. Nós, até cremos, quanto a tremer...
Há aquela “fé” que pede a Deus o que acha “necessário”, “imprescindível”,  “melhor” e fica ressentida com Deus se ele não atende seu pedido por mais que peça através de todos os meios – diga-se de passagem, nem sempre lícitos. É a fé infantil, diria, até, “birrenta”. Essa fé, “contrariada”, muda de igreja quando não é atendida, assim como criança birrenta põe cara feia e diz aos pais que não é mais filho deles.
Há a fé  madura, que crê no Evangelho e na Igreja e vive seus ensinamentos, custe o que custar. É a fé dos santos.
Há a fé  que confia em Deus e a ele se entrega inteiramente, tranquila, pois sabe que ele é Pai e sempre providencia o melhor para nós. E, para Deus, o melhor para nós é a santidade.
É essa fé madura e inteiramente confiante no amor de Deus que não se perturba com nada. Sabe ser fiel a Deus e ao Evangelho na penúria e na fartura, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Essa fé madura e confiante que é amada por Deus, não se espanta com nada. Nada a escandaliza, ainda que seja grande tristeza. Seus olhos não estão aqui na terra, mas fixos no céu. Sabe que, aqui na terra, tudo passa, tudo muda. Sabe que tudo pode nos enganar e iludir. Sabe, sobretudo, que Só Deus é o mesmo sempre. Só Deus não muda. Só o amor de Deus é sempre o mesmo, pois ele é amor em ato. Essa fé não vive para a terra nem valoriza o que à terra pertence. Vive para o céu, usando as coisas da terra para alcançá-lo.
Por isso tem paciência. Não aquela paciência de autodomínio, nem aquela que rói as unhas e balança as pernas para controlar a impaciência interior. Trata-se, aqui, da paciência-esperança, a paciência-fé, a paciência-amor.
É aquela paciência que sabe que Deus está no comando. Sabe que ele pode tudo e tudo realiza por amor. Está certa de que, no tempo de Deus – e não no seu! – ele mesmo resolverá da melhor forma de todas, sempre visando nossa santificação e a do mundo. Sabe que, ainda que tudo esteja negro, verá a vitória de Deus e que essa vitória nem sempre é tal qual pensamos.
Fé, caridade, esperança, paciência, confiança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Corretíssimo. Mas, quem é mesmo que “tem Deus”. Todos. Porém, Santa Teresa fala aqui daquele que conhece Deus não por palavras e teorias, mas pela oração e pelo amor. Em uma palavra, pelo relacionamento pessoal, relacionamento de amizade. Este, que ora com a Palavra, que tem a Deus como o centro de sua vida, que procura amá-lo em tudo, a este, nada lhe falta. Dele cuida o Pai muito melhor do que as aves do céu e os lírios dos campos, pois ele vale muito mais aos seus olhos.
Nada te perturbe, homem de pouca fé! Nada te espante, mulher de pouca esperança! Tudo, mas tudo, mesmo, passa, exceto Deus. Fica, então, com o Único que é  digno do teu amor e deixa-o cuidar de ti. Espera. Confia. Espera sempre, confia sempre. Quem tem a Deus, quem o conhece, quem confia nele, vive de forma diferente, vive de olho no céu e de coração no coração de Deus. Por isso, é tranqüilo e feliz.
Só Deus basta. Dedica-te a Ele. Deixa-te amar por ele. Ama-o. Nada, então, te perturbará.

Maria Emmir Oquendo Nogueira

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tempo para rezar...

 
COMO TENHO GASTO O MEU TEMPO!
 
A correria do dia a dia, os afazeres da semana, a luta pelo pão de cada dia, acrescentando as prioridades pessoais, levam o homem a doar-se gastando o seu potencial e a sua força naquilo com o que está cheio o seu coração. Para muitos chegou o momento de "parar" e refletir o caminho percorrido até aqui. Quem não se permite fazer isto corre o risco de está gastando a vida e o seu potencial em realidades que não constroem nem edificam a pessoa humana. 
 
Não é todo “gastar-se” que dá sentido a vida e eleva o homem. Vos convido a parar e contemplar o caminho percorrido até aqui pela "vida de oração". A oração permite rever a vida, quando esta é marcada pela busca, pela sede de se fazer presente, olhando para si e entregando-se ao Senhor, diante Daquele que ali já nos esperava. 
 
Entendamos que há tempo para todas as coisas debaixo do céu e que é preciso sabedoria para usá-lo a nosso favor. Jesus Cristo chegou para salvar toda a humanidade, para tocar todo Homem que já passou e há de passar por esta terra. Está é a verdade que precisa ser proclamada e vivida pelo povo de Deus e por todos nós. No entanto, é preciso deixar-se encontrar por Ele, deixá-lo nos tocar.
Não sei o tempo em que vives ou o tempo em que te encontras, o que importa é que o Senhor quer tocar neste tempo, quer entrar em sua casa pelas suas mãos, pela sua vida de oração, pelo seu inclinar-se.

Cative-se para ser uma pessoa de oração! 
 
É preciso parar para rezar. Quando lá te encontrares lembra-te que o momento mais sublime é quando o homem consegue, no "silêncio" do seu coração, escutar a voz que ressoa do alto, afinal, credes que o "alto já se encontra dentro de ti, pois és Templo do Espírito Santo". Seja ousado, marque a sua casa construindo um lugar apropriado para rezar. Coloque nele a cruz de Cristo, a imagem do santo que tens por devoção e a Palavra de Deus. Encontre-se ali presente diariamente adorando ao Senhor neste simples santuário construído com o auxílio de tuas mãos.
Rezo pela tua vida de oração. Um grande abraça fraterno.
Com orações,
Diác. Wellington Vilar
Comunidade Doce Mãe de Deus

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Alegria em São Francisco

shalom

Fora de dúvida, uma nota inseparável de Francisco de Assis é a alegria, que forma com ele um todo. Se a pobreza fica perfeitamente enquadrada pelo adjetivo “franciscana”, diga-se outro tanto da alegria. Quando adjetivada de franciscana, ela forma um todo e evoca a alegria na sua pureza mais lídima e na sua expressão mais concreta.

A convicção profunda de ser amado por Deus, a clareza de que tudo quanto fora criado dentro da beleza o fora para ele, a fraternização que conseguira estabelecer com todos os seres da natureza fazia-o cantar de alegria. Com freqüência, era visto empunhando um galho que arranjava à moda de violino e à moda de arco manejava um outro galho, como um violinista embevecido a produzir cascatas de notas que se evolavam pelo azul do céu. Como aprendera o francês de sua mãe e, com a língua, as canções da Provence, quando o júbilo o inundava, punha-se a cantar em francês os louvores de Deus.

Celano exprimiu muito bem este arrebatamento: “A suavíssima melodia de seu coração exprimia-se externamente em palavras que ele cantava em francês, e o que Deus lhe murmurava furtivamente ao ouvido extravasava em alegres cânticos franceses. Às vezes, pegava um pedaço de pau no chão, como vi com meus olhos, punha-o sobre o braço esquerdo, segurava na direita um arco de arame, passava-o no pedaço de pau como se fosse um violino e, fazendo os gestos correspondentes, cantava ao Senhor em francês. Freqüentemente, esta festa toda acabava em lágrimas, e o júbilo se dissolvia na compaixão para com a paixão de Cristo. Então, começava a suspirar sem parar, dobrava os gemidos, e logo, esquecido do que tinha nas mãos, era arrebatado ao céu” (2 Cel 127).

Se de um lado tinha a inspiração e a sensibilidade de poeta, do outro, sua comunhão com a natureza fazia-o o homem pacificado. Como conseqüência desta pacificação estava possuído da alegria. Não de uma alegria artificialmente alimentada ou freneticamente buscada, feita de bens e de coisas materiais, mas uma alegria, em verdade, gozosa, vale dizer, espiritual, íntima, profunda, contagiante. Não lhe agradava em absoluto encontrar religiosos com ares taciturnos, com frontes enrugadas e seriedade artificial. Imediatamente os enviava a um confessor, pois, a seu ver, uma só razão justificava a tristeza: o afastamento de Deus por causa do pecado.

Segundo um seu biógrafo contemporâneo: Francisco esforçava-se por conservar a alegria espiritual interior e exterior. Não lançava mão apenas de seu gênio alegre e amável e de seu trato cavalheiresco e agradável, mas empregava um constante esforço, através da reflexão e da contemplação, para alicerçar esta alegria. Por isso, os acontecimentos, ainda que de caráter sério, não lhe anuviavam o semblante, não lhe maculavam a palavra, não lhe entristeciam o interior. Sabia que, além de tudo e depois de tudo, há uma solução.

Custa-nos compreender como a alegria possa ser compatível com sofrimentos físicos ou penas interiores. Francisco soube fazer a fusão. Na sua célebre parábola sobre a Perfeita Alegria, mostra-nos que esta convivência é perfeitamente possível, uma vez que a alegria não é introduzida no homem através de mecanismos ou de posses ou de satisfações periféricas, ela é uma realidade que habita o âmago do homem, mas que deve ser trazida à tona, mediante uma concepção de vida com a qual são encarados os acontecimentos terrenos e históricos.

Esta alegria tornou-se-lhe como que a companheira de sua vida. Mesmo, prostrado ao solo de sua pobre cela, momentos antes de morrer, quando todo homem estremece, ele canta, pois o canto é a expressão mais concreta e exuberante da alegria. Como diz Tagore: “Os verdadeiros poetas, os videntes, tratam de expressar o universo em termos de música”. Os frades, seus companheiros, imbuídos ainda de preconceitos, bem ocidentais, aliás, em relação à morte, advertem-no de que cantar naqueles momentos poderia causar escândalo aos fiéis, que o tinham em conta de santo. Mas ele lhes mostra que o cristão não tem momentos para não cantar. A vida, em todas as suas explicitações, merece ser cantada, mui especialmente quando se está para transpor os umbrais da eternidade, região onde cessam todos os elementos dolorosos e geradores de sofrimentos ou perturbadores da harmonia.

O respeito com que se aproxima das criaturas, a ausência total de egoísmo e de interesse comercial, faz com que elas lhe respondam de forma alegre: estabelece um dueto com a cigarra, fala e faz-se entender pelos passarinhos, as cotovias lhe vêm ao encontro e o acompanham no momento derradeiro, o falcão o acorda e condói-se de seus cansaços; sente a dor que machuca o coração dos cordeiros levados ao mercado ou ao matadouro e experimenta o regozijo da liberdade conquistada; sofre com a angústia que silencia as rolas aprisionadas e condenadas ao comércio dos homens e vibra com seu vôo liberto, experimentando toda a paixão do libertado.

Não permite que lembranças do passado se instalem tenebrosamente em seu interior, fazendo com que os acontecimentos amargurem, outra vez, o presente. Ele que um dia se despojou de todas suas vestes, diante do pai, despiu-se também de todas as lembranças amargas, fazendo com que a luminosidade da esperança lhe enchesse todas as dobras do coração. Assim, sua música não era desafinada por algo que já se foi. Igualmente, não temia o futuro, não vivia na defensiva do amanhã, porque a pobreza que abraçou lhe permite ser livre, independente até do pão para a próxima refeição. Portanto, não é uma alegria isolada, desencarnada, um pedaço dele mesmo ou uma faceta de seu temperamento, mas é uma conseqüência de uma forma de conceber a vida e de senti-la numa dependência amorosa de Deus. É a conquista da serenidade. Esta palavra tão rica que evoca a imensidão azul do mar, sem ondas ou ameaças, deslizante, pura, transparente, convidativa e inspiradora. Ele era a alegria.

Quando o sofrimento chega, porque dele não ficou livre, nem o desejou ficar, pelo contrário, pediu-o, este sofrimento encontrará um solo propício e não será um vulcão a derramar lavas de revolta, mas um ser amigo, com um lugar no quadro das amizades, um outro elemento desencadeador de alegria. Também ele encontra lugar, não como antípoda da alegria, mas como fraterno companheiro de jornada, não impedindo que a beleza continuasse a ser beleza, em toda sua majestosa realidade.

A alegria marcará a partir de Francisco, e de fato ainda marca, a produção literária franciscana em todos os gêneros. Giotto, o pintor que embelezou a Basílica, em Assis, onde repousam os restos de São Francisco, introduziu a natureza em seus quadros e na própria arte pictórica. Procurou romper a seriedade e sisudez - quase tristes - bizantinas, para introduzir a alegria da paisagem colorida e de formas animadas. Dele se alimentarão os grandes expoentes do Renascimento, que o tomarão como ponto de partida. Daí afirmarem alguns que São Francisco, com suas idéias, foi uni dos próceres do movimento renascentista, com o que concordamos. O Cântico das Criaturas, onde a alegria borbulha em cada verso, será como que a inspiração constante e cantante dos teólogos e filósofos franciscanos, que através dela revestirão de otimismo e simpatia as verdades mais duras e mais sérias do cristianismo. Sem ser filósofo e sem ser teólogo, marcou profundamente a Teologia e a Filosofia, de maneira a podermos adjetivar estas ciências de “Franciscanas”, quando praticadas na cosmovisão de Francisco.

Se pobre é um adjetivo que caracteriza e descreve Francisco de Assis, alegre tem o mesmo peso e o mesmo brilho e sua ausência tornaria incompleta qualquer definição deste Santo, que nos legou uma “espiritualidade sempre jovem”, evocando jovem como sinônimo de alegria.

Deste modo, a ALEGRIA aparece, com todo o direito, como outra das notas características do FRANCISCANISMO.

Do livro “São Francisco vida e ideal”, de Frei Hugo Baggio, Editora Vozes, 1991

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As escolhas provocadas na liberdade

Imagem de Destaque

"Senhor, dono das panelas e marmitas, não posso ser a santa que medita aos vossos pés. Não posso bordar toalhas para o vosso altar. Então, que eu seja santa ao pé do fogão. Que o teu amor esquente a chama que eu acendi e faça calar minha vontade de gemer a minha miséria. Eu tenho as mãos de Marta, mas quero também ter a alma de Maria. Quando eu lavar o chão, lava, Senhor, os meus pecados. Quando eu puser na mesa a comida, come também, Senhor, junto conosco. É ao meu Senhor que sirvo, servindo minha família". Encontrei esta oração de uma camponesa de Madagascar, que nos abre a compreensão de uma bela página do Evangelho (cf. Lc 10, 38-42), da qual emergem preciosas lições para o nosso cotidiano.

Os discípulos de Jesus são chamados a fazer suas escolhas provocados em sua liberdade. Os que foram chamados pelo Senhor tinham feito sua primeira experiência missionária, da qual retornam repletos de alegria e são contagiados pela exultação de Cristo, que louva o Pai do Céu (cf. Lc 10, 21-24). Em seguida, aprendem os dois mandamentos principais do amor a Deus e ao próximo, acolhendo o impulso missionário que os fará próximos daqueles dos quais se aproximarem (cf. Lc 10, 25-37), unindo a oração e a contemplação no episódio da casa de Marta, Maria e Lázaro. Enfim, a série de lições se completa com o ensinamento sobre a oração e a entrega do "Pai-nosso", a ser levado pela vida afora como um verdadeiro tesouro (cf. Lc 11, 1-13).

De Marta e Maria já se falou muito. E a figura daquela que se encontra acocorada aos pés de Jesus Cristo para ouvir sua Palavra tornou-se até uma carta magna da vida monástica e eremítica, consagrada à oração e à meditação da Palavra de Deus. Mas a página do Evangelho de Marta e Maria não foi escrita só para monges, inclusive porque não existiam ainda! Ela foi escrita para todos os discípulos de Jesus de todos os tempos.

Cristo, que nos recomenda reconhecer Sua presença nos irmãos a quem servimos, não reprova o serviço prestado por Marta. Chama a atenção dela porque não se ocupa do necessário serviço, mas se "pré-ocupa", porque é uma pessoa agitada. Jesus deseja ver-nos curados do ativismo, não da atividade justa e necessária! Mas em nosso tempo, reconheçamos logo, a agitação não é tanto escolhida, mas sim, praticamente imposta pelo ritmo frenético do dia a dia. Basta ver o estresse ao qual são submetidas tantas pessoas que passam horas e horas no trânsito, às quais se ajunta o tempo dedicado ao trabalho. Entende-se assim o desejo de se recolherem em locais mais tranquilos, fazendo com que o final de semana traga consigo o esvaziamento das cidades, com levas de pessoas que buscam refúgio, numa forma, quem sabe secularizada, de contemplação!

O equilíbrio é o ideal a ser alcançado à custa de muito esforço, tarefa a ser assumida ao longo da vida. Dentro da agitação da Marta do Evangelho encontra-se uma virtude, tantas vezes esquecida: a hospitalidade. “Não vos esqueçais da hospitalidade, pela qual algumas pessoas, sem o saberem, hospedaram anjos” (Hb 13, 2). A Carta aos Hebreus se referia ao importante episódio de Abraão recebendo hóspedes ilustres, portadores da promessa da posteridade (cf. Gn 18, 1-10). Marta, modelo da hospitalidade, mesmo agitada, é santa, que a Igreja celebra a cada ano no dia 29 de julho! Dela acolhemos o convite a praticar esta virtude, para abrir corações que, por sua vez, abram portas!
Vale receber as pessoas em nossa casa, valorizar os momentos gratuitos de convivência. Vale a atenção, quem sabe muito rápida, mas intensa, com a qual saudamos as pessoas que estão ao nosso lado num meio de transporte público ou nas ruas e vielas, elevadores e corredores da vida. É hospitalidade o "bom dia" e o sorriso no início do trabalho. Hospitalidade é a capacidade de ouvir, dar atenção, perder tempo.

Hospitalidade é a Missa de Domingo, bem preparada e vivida , na qual as pessoas se restauram com a Palavra e o Pão da Vida. Hospitalidade é a oportuna Pastoral da Acolhida, hoje implantada, em tantos lugares, muitas vezes exercida pelas "Guardas" existentes na maioria de nossas Paróquias. Hospitalidade é ter igrejas de portas abertas para os peregrinos do cotidiano, sedentos de silêncio e recolhimento. Hospitalidade é olhar, abraço e carinho, Marta e Maria, irmãs e santas, sinais de um relacionamento mais profundo, no qual Céu e terra se encontram.
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

RESPONDER A VONTADE DE DEUS

“Responder à vontade de Deus não significa saber explicá-la, significa agir, viver, amar. Essa é a resposta que Deus espera de nós: saber reconhecê-lo em cada próximo que nos passa ao lado. Se Jesus nos perguntasse hoje quem ele é, deveríamos responder “Tu és o próximo que amo no instante presente”. Ou respondendo à pergunta ao contrário: quem são essas pessoas que encontro durante o dia? São Jesus. Cada uma delas. O meu amor é dirigido a Ele, que está presente em cada próximo. Amar unicamente a Jesus, ajuda-me a não fazer distinções e o outro sente-se amado com um amor exclusivo. É um jogo divino completamente encarnado no humano”.
” RESPONDER À VONTADE DE DEUS DO MOMENTO PRESENTE “
(Apolonio)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SER DIFERENTE

Paz e Bem!
O tema proposto nos revela uma bela identidade: a identidade divina que há em cada um de nós!
Somos de Deus e ninguém pode tirar essa marca, selo, caráter, verdade de nossa vida.
Ser de Deus significa, antes de tudo, tomar consciência do novo nascimento para Deus (Batismo), o dom do amor de Deus derramado em nossos corações. No nosso batismo nos tornamos definitivamente e inteiramente de Deus.
Sou de Deus porque fui marcado pelo Espírito Santo, a unção de Deus está sobre mim!
Somos de Deus, fomos criados por Ele, amados por Ele, para sermos sinais Seus para o mundo, para sermos sinais da novidade!
É preciso viver a realidade de ser totalmente de Deus, no falar, no vestir, no estudar, no viver. Hoje o Senhor nos chama a anunciar com a vida o que ele fez de nós.
Quando assumo essa identidade logo me torno diferente. Minha vida, minhas amizades, meu namoro, meus relacionamentos se tornam diferentes porque o Espírito Santo de Deus me transformou. Tudo tem um novo sentido.

Irmão e irmã, você é chamado hoje a renovar essa marca de ser de Deus, ser diferente. Talvez você questione o porquê do não conseguir viver esta graça. O que te impede? O que está faltando? Nunca diga ser impossível viver o testemunho de uma pessoa nova no Espírito Santo. Deus esta em ti e te dará forças, sempre novas, para ter atitudes de quem é de Deus.

Hoje ser diferente é estranho para alguns “amigos”, mas eles começam aceitar-nos do jeito que somos. Na medida em que somos determinados pelo Espírito Santo que age em nós, ele nos dá forças para sermos diferentes no meio dos nossos amigos, no mundo de hoje. Não tenha medo de dizer quem você é de verdade para todos.
E o que nos diferencia no mundo de hoje é que somos nascidos para DEUS e não para o mundo. Então é isso que nos faz ser diferentes: Ser de Deus.
Devemos ter a consciência de que esse ser diferente custa muito para nós. É a exigência do seguimento autêntico a Jesus Cristo. É um caminho de renúncias. Hoje a mentalidade mundana foge de renúncias. A mentalidade do evangelho nos pede perder para ganhar: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho vai salvá-la” (Cf. Marcos 8,34b-35).
Somos chamados a nadar contra a maré. Vai custar, vamos sentir solidão, nos chamarão de santinho (a), mas vale à pena! Deus é tudo na sua vida, seja Ele o centro de tudo, esteja no lugar devido. Que Cristo reine dentro de nós.
Nunca tema as críticas, e até mesmo as suas fraquezas, pois Jesus é sua segurança e você esta no caminho certo. Com uma nova coragem vamos gritar para o mundo ouvir: SOMOS DE DEUS PARA SEMPRE!

Pe. Márcio José da Costa Teixeira
Membro Consagrado de Vida da
Comunidade Doce Mãe de Deus