segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Modéstia, Atributo de Maria


(Sinal do Consagrado Doce Mãe de Deus)

[...]

Exteriormente é modesta. Não se faz notar pela severidade nem pela negligência. Sempre humilde e mansa, traz o sinal da simplicidade em tudo que realiza.

Modesta em relação ao mundo. Maria sacrifica com generosidade a condição de gestante; vai imediatamente, vencendo grande distância, visitar sua parenta Isavel, levando felicitações e auxílio. Durante três meses acompanha e serve, trazendo grande alegria ao lugar. Somente quando a glória do Filho exigir aparecerá em público. Assistirá às bodas de Caná sem nenhum privilégio. A modéstia faz com que pratique a caridade de acordo com a ocasião.

Modesta no cumprimento dos deveres.Desempenha com suavidade, sem precipitações, sempre alegre e disposta a abraçar uma nova obrigação; não deixa transparecer as contrariedades, não busca consolações e pela naturalidade não atrai a atenção dos demais. Modelo exemplar para os adoradores do Santíssimo Sacramento; cuja vida se compõe de pequenos atos e de pequenos sacrifícios, que somente Deus deve conhecer e recompensar; cuja glória e conforto consistem na filial e humilde dedicação no cumprimento dos deveres, ambicionando agradar o Mestre pela contínua imolação de si mesmos.

...

Modesta na piedade. Elevada ao mais alto grau de contemplação que uma criatura possa atingir, vivendo no constante exercício do perfeito amor, exaltada acima dos anjos e constituída Mãe de Deus, mesmo com todas essas prerrogativas, serve o Senhor com simplicidade; sujeita-se às prescrições da lei, assiste às festas, reza junto com os demais fiéis; em nada se faz notar, nenhum exercício exterior demonstra sua piedade e o seu fervor. Assim deve ser a piedade do cristão: comum em suas práticas, simples em seus meios, modesto no agir, evitando chamar a atenção, fruto sutil do amor próprio que leva à vaidade e à ilusão.

Modesta nas virtudes. Possui todas as virtudes em grau supremo, praticados com suma perfeição, embora de forma simples e usual. Em todos os favores recebidos, a humildade vê somente a bondade de Deus, somente agradece. Agradecimento escondido e sem glória humana. Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré ? (Jo 1, 46). Ninguém presta atenção em Maria, passa totalmente desapercebida.

...

Eis o segredo da Perfeição: a simplicidade, mesmo quando ignorada, saber conservá-la. Uma virtude acentuada fica exposta, uma virtude louvada pode trazer a ruína; a flor que mais chama a atenção, murcha depressa.
Afeiçoemo-nos às pequenas virtudes de Maria de Nazaré, que germinam aos pés da cruz, à sombra de Jesus; deste modo, não temeremos as tempestades que abatem os cedros nem o raio que cai no cimo da montanha.

Modesta nos sacrifícios. Aceita em silêncio e conformidade o exílio no Egito. Diante da dúvida de José, permanece em silêncio, confia na providência. Traspassada pela dor, acompanha o Filho que carrega a cruz, não grita nem lamenta exteriormente. No Calvário, mergulhada em sua dor, sofre calada e se despede do Filho num olhar mudo.

Maria é também modesta em sua glória. Como Mãe de Deus, possuía todos os direitos e todas as homenagens, entretanto abraça a provação e o sacrifício. Não aparece nos triunfos do Filho, porém está aos pés da cruz.

Para ser filhos desta Mãe, devemos nos revestir de modéstia, deve ser tema usual de nossa meditação. A modéstia é virtude régia de um adorador do Santíssimo Sacramento, pois fornece a exterioridade dos sentidos na presença de Deus.


Extraído da Obra Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento: Um mês com Maria, de São Pedro Julião Eymard, Editora Formatto, 2008, p.50-53

domingo, 14 de junho de 2009

"É necessário que eu diminua"





Era uma vez um servo fiel de um grande senhor. O castelo do senhor contemplava um tempestuoso canal que separava seus domínios das terras de uma linda senhora. O servo, que cuidava dos arquivos do senhor, havia encontrado um antigo pergaminho que provava que ele, o servo, e não o senhor, era o verdadeiro e legítimo herdeiro da propriedade.

O servo amava secretamente a bela senhora. Ele a havia conhecido certa feita quando acompanhara o senhor numa de suas visitas a ela. Quando encontrou o extraordinário pergaminho, o servo resolveu que, no momento oportuno, não só iria reivindicar sua legítima herança, como também iria pedir a senhora em casamento. Pois, agora, estaria no mesmo nível social que ela, e ela não iria desprezá-lo.

Uma tarde ele ouviu dizer que a senhora vinha a caminho, pelo canal, para uma visita ao senhor. Esta seria a sua oportunidade. Quando ela chegasse, ele retira¬ria o documento das obras de sua veste e reclamaria tanto a herança como a mão da senhora.

Quando o dia já caminhava para o fim, o servo acompanhou o senhor até as margens do canal, e juntos passeavam sobre o quebra-mar, enquanto aguardavam a chegada do barco da senhora. Surgiu, porém, uma grande tempestade, e o barco foi apanhado pela chuva e pelos ventos adversos. Uma enorme escuridão recaiu sobre o mar e a praia. Receando que o barco não pudesse encontrar o caminho através da escuridão, o senhor ordenou que acendessem uma fogueira que servisse de farol. Nada, porém, queria pegar fogo. A pesada chuva havia encharcado tudo o que pudesse servir de material combustível. Não havia material algum que pudesse inflamar¬se, nem musgo seco, nem raspa de madeira para iniciar uma chama.

Temendo que a senhora chegasse a se afogar na tempestade, o servo puxou o pergaminho, única esperança e prova do seu futuro, e o acendeu. O barqueiro avistou a chama, dirigiu o barco no rumo certo através da escuridão, e o trouxe com segurança até o atracadouro.

A senhora desembarcou e atirou-se nos braços do senhor, rendida de amor. O servo ouviu a voz do senhor, que cumprimentava a senhora com palavras temas de amor ardente. Seu coração sobrepujando o próprio infortúnio, rejubilou-se com a felicidade da mulher que amava, e com a felicidade do senhor, a quem servia com lealdade e a quem amava como amigo. Vieram-lhe à mente as palavras de João Batista: "O amigo do esposo, que está presente e o ouve, é tomado de alegria à voz do esposo. Essa é a minha alegria e ela é completa" (Jo 3,29).

No íntimo do coração, o servo criou o brasão de sua verdadeira nobreza, inscrito com as palavras de João: "É necessário que ele cresça e eu diminua" (Jo. 3,29).

Mesmo antes de ser a de João Batista, esta foi a história de São José. É a história de cada um de nós. Ninguém que ame de verdade jamais aprisiona sua amada sob seu jugo. Afasta-se dela; sai de sua vida, se necessário, para que ela se tome o que foi chamada por Deus para ser.

O anjo esclarece José sobre o divino mistério que se opera em Maria: "José - diz ele - Deus, o Altíssimo, pelo poder de seu Espírito, tomou Maria como esposa e formou-lhe um filho em seu ventre. Em respeito à tua bem-amada Maria, deixe-a viver a fase mais nobre de si mesma! Deixa-a fruir seu profundo relacionamento com o Senhor Deus e ela ser-te-á mais preciosa ainda!".

A resposta a tudo isso no coração de José deve ter sido um alegre: "É necessário que ele cresça e que eu diminua". José afasta-se de Maria. Consente em ficar de lado para que ela possa tomar-se em toda a sua plenitude aquela pessoa que Deus desejava que ela fosse: a esposa do Espírito Santo e a mãe de uma obra divina de amor, juntando toda a humanidade no amor. E, além disso, maravilha do amor de Deus, apesar de tudo, José recebe Maria como sua e, com ela, recebe também a Deus! "José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu chamarás com o nome de Jesus (Mt 1,20). Como esposo de sua mãe, terás o privilégio de pai de lhe dar o nome. Aceitá-lo-ás como teu filho, uma vez que aceitarás a mãe dele como esposa".

A isto, a resposta dentro do coração de José deve ter sido um alegre: "Sim, é preciso que eu diminua; não preciso, porém, desaparecer de sua vida!".Deixando, respitosamente Maria ser ela própria, o carinhoso amor de José para com ela tornou-se mais rico ainda ao aceita-la. De boa vontade concordou viver com ela em celibato. Em seu reverente amor, respeitou-a como esposa do Senhor Deus, e aceitou a condição de que ela permanecesse sempre virgem. "Embora eu precise diminuir, ainda as¬sim terei a felicidade de continuar a amá-la e de viver em seu amor" .

Uma vez que o amor deseja que a pessoa amada seja na verdade mais ela própria, que o verdadeiro amor de si mesmo só se encontra na comunhão com o Senhor, todo amor deve ter o espírito celibatário: profunda reverência com a pessoa amada, como pertencente ao Senhor! Mais cedo ou mais tarde aquele que ama terá de enfrentar a realidade de que o Senhor entrou na vida da pessoa que amamos; e todo verdadeiro amigo deverá dizer: "É necessário que ele cresça e que eu diminua.

Pois somente o Senhor Deus poderá satisfazer o coração humano. Em todo o coração existem profundezas infinitas que nenhum amigo humano poderá preencher, profundezas que somente Deus poderá preencher. Levando isso em consideração, esposos e esposas cristãos entendem o que Paulo quer dizer quando fala que eles provavelmente desejarão abster-se ocasionalmente das relações conjugais, por mútuo consentimento, a fim de se entregarem à oração (l Cor 7,5).

O que todo amigo cristão deseja acima de tudo para a pessoa amada é comunhão com o Senhor. A pessoa a quem amo, a esposa, o esposo, o amigo, pertencem, antes de tudo, ao Senhor. E, neste sentido, sou apenas o amigo do noivo. Somente ele é esposo de todo o coração humano. Ele deve crescer, enquanto devo diminuir.

Se não aprender esta lição logo no início de meu amor para com alguém, seguramente irei aprendê-lo quando eu mesmo for chamado para o Senhor na hora da morte. Para encontrar-me com ele, e para ficar plena¬mente unido com ele na glória, deverei separar-me de todos aqueles a quem amo. Quando morrer, deverei deixar a esposa, o esposo, os filhos, os amigos, a propriedade, o poder e as conquistas, até mesmo o próprio corpo. Somente quando tiver deixado tudo, poderei receber seu abraço total, para o qual fui criado.

Para testemunhar tal fato, de que o Senhor é o verdadeiro esposo de toda pessoa humana, algumas pessoas não esperam até que a morte os force a deixar todas as coisas. No celibato consagrado, abandonam tudo no início da juventude, de maneira que toda a vida e todas as energias fiquem canalizadas para o Senhor, o esposo, único capaz de satisfazer o coração humano.

Da mesma forma, porém, que José, embora ficasse diminuído, recebia Maria novamente do Senhor para ser amada carinhosamente e estimada como esposa, assim também celibatário recebe muitas pessoas para amar, conduzindo a missão do amor universal e sendo interme¬diário do próprio amor de Deus. Todo aquele que entregar ao Senhor o lugar central de seu amor, será mais rico ainda em seu amor para com as outras pessoas. E todo aquele que, na ora a morte, abandonar tudo para ficar com o Senhor, receberá novamente, através do Senhor, todos aqueles a quem amara sadiamente.

Mesmo que, no grande entrelaçamento da união pelo amor (CI2,2), ficarmos envolvidos na mais profunda amizade com algumas pessoas em detrimento de outras, é sempre o Senhor Jesus que estará mais próximo de cada um de nós, mais perto de cada um do que a esposa ou o esposo ou qualquer outro ente querido. Se nós conseguir¬mos nos amar uns aos outros com o coração dele mesmo, isto somente acontecerá porque ele é o verdadeiro esposo de todos os corações.


Livro O Ministério da Amizade de Paul Hinnesbusch, O.P. editora Paulus

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O que torna uma ação boa ou má?




Texto muito interessante do padre jesuíta Kenneth Baker

O que torna uma ação boa ou má?

Jesus disse: Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14, 15). É fácil estabelecer o princípio geral de que é preciso fazer o bem e evitar o mal; mas não é fácil saber - em cada circunstância, aqui, agora - o que é bom e o que é mau.

Há princípios básicos de moral cristã com os quais todos os católicos devem estar familiarizados. Dentre eles, um dos primeiríssimos é este: para que qualquer ação possa ser qualificada moralmente, tem de ser consciente, humana. Um ato humano procede do conhecimento e do livre arbítrio; se faltarem a liberdade ou o conhecimento devidos, o ato não é completamente humano e, portanto, não é completamente moral. Assim, a digestão, o crescimento, o movimento do sangue nas veias, etc., uma vez que não estão sob o controle da nossa vontade, não podem de forma alguma ser chamados de atos morais. São atos da pessoa humana, mas não podem ser considerados “atos humanos”.

Um ato inteiramente humano, ou seja, um ato que procede do conhecimento e do livre arbítrio, pode ser moralmente bom ou moralmente mau. Como podemos fazer a distinção? Baseados em uma experiência de séculos, os teólogos chegaram à conclusão de que há três determinantes para a qualidade moral das nossas ações: o objeto, o fim ou a intenção, e as circunstâncias.

O objeto é aquilo em a ação consiste essencialmente, por exemplo: mentir, rezar o terço, roubar, ajudar um cego a atravessar a rua. Para que um ato seja moralmente bom, o seu objeto - aquilo que ele é -, deve estar conforme com a lei de Deus.

O segundo determinante da qualidade moral de qualquer ato humano é a intenção, fim ou propósito. Todo o ato humano, não importando quão trivial seja, é feito com algum propósito. O motorista domingueiro que atrapalha o trânsito e parece estar dirigindo sem qualquer destino tem um propósito: ele pode não querer chegar a lugar nenhum, mas busca a alegria de contemplar a paisagem do volante do seu carro. Para que um ato humano seja bom, o agente, aquele que o pratica, tem de ter boa intenção - tem de querer fazer algo que seja bom. Algumas ações, como blasfemar e roubar, são sempre erradas e nenhuma finalidade ulterior, não importando quão nobre seja, pode torná-las boas. Outras ações podem ser boas ou más dependendo de para que as praticamos. Beber não é pecado; já beber para ficar bêbado é. A moralidade de muitas coisas que fazemos é determinada pela intenção: andar, conversar, ler, etc. Muitas atividades consideradas moralmente indiferentes em si recebem a sua qualidade moral da intenção que está por trás delas.

Para que as nossas ações sejam boas, as nossas intenções devem ser boas. É bom ajudar os pobres, mas se eu os ajudo por vaidade ou despeito, então não pratico uma boa ação, mesmo que, em última análise, os pobres sejam beneficiados. Por outro lado, não podemos cair no erro contemporâneo segundo o qual toda a moralidade de uma ação é determinada pela intenção. A mais nobre das intenções não pode tornar bom um ato intrinsecamente mau. Assim, as explosões e as mortes causadas por terroristas com o objetivo de mudar alguma forma de governo são assassinatos, independentemente da intenção com que se praticam. Roubar dos ricos para ajudar os pobres, como um Robin Hood, continua a ser roubo. A ideia de que “os fins justificam os meios” é muito comum hoje em dia. Pessoas mal informadas que se preocupam com a superpopulação do planeta ou com a educação apropriada das crianças consideram bom o recurso ao aborto para diminuir o número de nascimentos e evitar crianças não desejadas; mas uma boa intenção, não importa qual, não transforma algo essencialmente mau como o aborto em algo moralmente bom.

As circunstâncias do ato, por fim, são o terceiro determinante da moralidade de qualquer ação. Circunstâncias são, por exemplo, as pessoas envolvidas, a hora, o local, a ocasião. Embora distintas do objeto, as circunstâncias podem modificar e mesmo alterar completamente a moralidade de um ato. As circunstâncias podem, por exemplo:

- tornar má uma ação que, de outra forma, seria boa, como no caso de um soldado que deliberadamente durma durante o serviço;

- aumentar ou diminuir a culpa de quem pratica a ação. Como quando uma menininha mente para a sua mãe (culpa aumenta), ou alguém conta uma mentira inventada na hora para se livrar de uma situação embaraçosa (culpa diminui).

Uma vez que todas as ações ocorrem em um momento e um lugar determinados, as circunstâncias devem ser sempre levadas em conta na hora avaliar a qualidade moral de qualquer ato humano.

Não devemos ficar alarmados com o crescente uso do princípio de que “os fins justificam os meios”. Um católico bem formado sabe que a moralidade de cada ato humano é determinada pelos três elementos vistos acima - o objeto, a intenção e as circunstâncias. Basta que apenas um deles seja mau para que possamos considerar uma ação má e saibamos que devemos evitá-la.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

“Graças e louvores se dêem a todo o momento, ao Santíssimo, Diviníssimo Sacramento”, amém!



Corpus Christi: como a igreja é eucarística

Celebrar a solenidade do Corpo de Cristo é, acima de tudo, experimentar uma nova graça que é dada ao se unir a Jesus na Eucaristia. O ato de Comungar faz-nos dispor inteiramente para sermos todos de Deus, e isto é possível porque nos unimos ao corpo, sangue, alma e divindade de Cristo. Eis a mais esplêndida experiência de amor e felicidade que o homem pode vivenciar! Na Eucaristia, não só antecipamos o céu em nossas vidas, mas também nos unimos com o céu quando nos deixamos configurar com uma nova vida em Cristo: “Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.”

Nas palavras do Santo Padre na homilia do ano passado (2008), na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, nos indica a profundidade do sentido que é dado nesta solenidade: “A própria celebração que estamos a realizar no-lo diz, no desenvolvimento dos gestos fundamentais: antes de tudo reunimo-nos em volta do altar do Senhor, para estar na sua presença; em segundo lugar faremos a procissão, isto é, o caminhar com o Senhor; e por fim, o ajoelharmo-nos diante do Senhor, a adoração, que já inicia na Missa e acompanha toda a procissão, mas tem o seu ápice no momento final da bênção eucarística, quando todos nos prostraremos diante d'Aquele que se inclinou até nós e deu a vida por nós.”

“A Igreja faz a Eucaristia, mas também a Eucaristia faz a Igreja” (Henri de Lubac). Como é possível compreender isso? A Igreja e a Eucaristia parecem se confundir diante dessa união íntima. Ora, a verdadeira natureza da Igreja não se manifesta nas estruturas hierárquicas e nem no dogmatismo teológico, mas na própria celebração da Eucaristia. A Eucaristia realiza a unidade da Igreja. “O Corpus Christi recorda-nos antes de tudo isto: que ser cristãos significa reunir-se de todas as partes para estar na presença do único Senhor e tornar-se n'Ele um só” (BENTO XVI).

Por isso, podemos dizer que na Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo celebramos a mais plena união do Esposo com a Esposa, pois é na Comunhão Eucarística que Jesus une-se de forma plena com a Igreja, ou seja, com cada fiel que professa e vive a fé do Corpo de Cristo. Por isso, desta união, o próprio Cristo nos indica o caminho que devemos percorrer: “A Eucaristia é o Sacramento do Deus que não nos deixa sozinhos no caminho, mas se coloca ao nosso lado e nos indica a direção. Ele mesmo se fez "via" e veio caminhar juntamente conosco, para que a nossa liberdade tenha também o critério para discernir o caminho justo e percorrê-lo” (BENTO XVI).

Em um profundo entendimento acerca da concepção da Eucaristia, Santo Inácio de Antioquia nos ensina que: “Cuidai de participardes de uma só Eucaristia, porque há uma só carne de nosso Senhor Jesus Cristo e um só cálice para a união com seu sangue, um só altar, como um só bispo com os presbíteros e os diáconos, meus companheiros de serviço”. Enfim, a unidade da Igreja é manifestada em sua realidade específica e objetiva quando os fiéis se reúnem em torno do Bispo “no mesmo lugar”, para receberem a comunhão do único pão e do único cálice.

Algumas considerações cabem ainda sobre o “Corpo de Cristo”, no qual nos ensina Agostinho que a Eucaristia cria a Igreja: “É o mistério de vós mesmos que é colocado sobre a mesa do Senhor; é o mistério de vós mesmo que recebeis. É ao que sois que respondeis Amém e ao que por vossa resposta aderis. Com efeito, quando ouvis as palavras “Corpo de Cristo”, respondeis Amém. Sede membros do Corpo de Cristo, para que esse amém seja verdadeiro” (Sermão 272). Somos nós, os fiéis, que somos oferecidos e consagrados na Eucaristia: “Vós está lá, na mesa, vós está lá, no cálice” (Sermão 229). Pela comunhão do corpo eclesial: “Se receberdes, sois o que recebestes” (Sermão 227). O Corpo de Cristo, a Igreja, se oferece, portanto, para se tornar o Corpo de Cristo sacrificado, o sacramento: “Eis o sacrifício dos cristãos, esse corpo único, que nós, muitos, formamos em Cristo (Rm 12,5); é o sacrifício que a Igreja celebra no sacramento do altar, tão conhecido dos fiéis; por ele mostra-se à Igreja que, ao oferecê-lo, é também oferecida a Deus” (A Cidade de Deus 10, 6).

Para concluirmos essa breve reflexão acerca do mistério Eclesiológico da Eucaristia, tomemos o Evangelho no qual narra a instituição da Eucaristia: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu aos seus discípulos dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo.” Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele o beberam. E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos. “Em verdade vos digo: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus” (Mc 14, 22-25).

“Adorar o Corpo de Cristo significa crer que ali, naquele pedaço de pão, está realmente Cristo, que dá sentido verdadeiro à vida, ao imenso universo como à menor criatura, a toda a história humana e à existência mais breve. A adoração é a oração que prolonga a celebração e a comunhão eucarística na qual a alma continua a alimentar-se: alimenta-se de amor, de verdade, de paz; alimenta-nos de esperança, porque Aquele diante do qual nos prostramos não nos julga, não nos esmaga, mas liberta-nos e transforma-nos”.

Cristo oferece o seu Corpo e Sangue como penhor da glória futura: eis a antecipação das Bodas do Cordeiro! Que a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo possa em cada um de nós gerar um coração adorador e o ser Igreja, para que a comunhão Eucarística represente de forma viva e eficaz a união esponsal que transborda numa oferta de vida configurada em Cristo.


Márcio André Teixeira Barradas
Consagrado da Comunidade Católica Shalom
Assessoria Litúrgico-Sacramental

terça-feira, 2 de junho de 2009



Palavra do Fundador: Pentecostes.


Queridos irmãos e irmãs, feliz dia de Pentecostes!

Para mim Pentecostes é o maior espetáculo já visto por todos. Sempre imagino os Apóstolos e Discípulos saindo do então chamado cenáculo, cheios de coragem e de amor, vibrando por ser testemunha de mais um grande acontecimento, ou melhor, a terceira maior visita de Deus ao homem.

inaldo.jpgO Amor incalculável de Jesus na cruz nos deu a segurança de ser testemunha. Foi através do Espírito Santo derramado no dia de Pentecostes, que essa segurança se firmou. Após este dia a vontade dos Discípulos foi sepultada no batismo da vontade de Jesus. “Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (cf. Gl 2, 20a ). Essa é a graça a que somos chamados hoje: Como discípulos viver a vontade de Jesus.

Então, não podemos viver nossa vontade, movidos meramente por um sentimento ou por uma crise qualquer. O nosso endereço sempre deve estar nesta luz do Espírito Santo, para que todos compreendam a vontade de Deus em tudo na vida.

Sejamos testemunhas autênticas, como verdadeiros discípulos, aonde quer que estejamos. Assim, pelo Espírito Santo possamos dizer muitas vezes que a “vontade de Deus é meu paraíso.”
Desejo a vocês um carinhoso dia, “para sempre” de Pentecostes.

Inaldo Alexandre da Silva
Fundador e Moderador geral da Comunidade Doce Mãe de Deus

sábado, 30 de maio de 2009

Reconciliar-se com a própria história




Nossa história, quase sempre, não é do jeito que gostaríamos

Os cenários da história – tanto universal quanto pessoal – são sempre povoados, marcados por uma trama de significados e expressões que dão cor e direção aos corações e à vida de um povo. A história do homem traz consigo inúmeras marcas; algumas positivas e outras profundamente negativas e desestruturadoras. Enfim, toda história tem a sua “história” a contar, toda vida derramada no solo do tempo tem suas partes para reconciliar...

Há historiadores que definem a história humana como “história de guerras e conflitos”, e, de fato, tal afirmação não está ausente de verdade. Esta é mesmo marcada por diversas dores e contrariedades que se entrelaçam em uma constante dinâmica de morte e de vida.

No âmbito singular e pessoal não é diferente. Quando olhamos para a história de nossos próprios dias, sem dúvida, seremos capazes de aí perceber realidades que não desejamos nem quereríamos que aí estivessem.

Nossa história e as circunstâncias que a configuram, quase sempre, não são do jeito que queremos, por vezes, nossa biografia é povoada por erros e frustrações que não desejamos nem convidamos para nela habitar.

Há quem se envergonhe de sua própria história e há outros que dela fogem perpetuamente. Há quem não consiga se reconciliar com as perdas e contrariedades contidas na própria existência, nunca assumindo os próprios erros e fragilidades, e assim vivendo como alguém que “foge” eternamente da própria sombra.

Muitas vezes, nossa história é mesmo perpassada por realidades que são difíceis de lidar e encarar, todavia, ninguém pode se tornar verdadeiramente maduro e liberto na vida se não faz a experiência de se encarar naquilo que é.

A arte de se encontrar e reconciliar-se com a própria história pode ser fonte de aguda dor, contudo, é também fonte de intensa realização e emancipação existencial. Não existe outro caminho para crescer e ser gente na vida, pois, sem se reconciliar consigo e com as cenas que emolduram o seu próprio caminho de vida, o ser humano torna-se escravo de si mesmo e ausenta-se da alegria de poder aceitar-se naquilo que é.

Diante do real – de nossa identidade – poderemos fugir criando ilusões para mascarar o que somos ou poderemos enfrentar – mesmo sangrando – nossa verdade, extraindo dela a vida e a esperança que brotam do fato de não termos de fingir e encenar para sempre.

Nossa história pode ser fonte de lembranças dolorosas, sim, mas também pode – com uma força extraordinária – ser fonte de autêntica e encarnada libertação. Reconciliar-se, pois, com a própria história: Eis o desafio e a oportunidade de nos compreendermos amados e aceitos no que somos.

Esse é um caminho difícil, mas o fazemos acompanhados: dirigidos pelo infinito Amor, que dá sentido às nossas perdas e nos sustenta em nossas lutas. Assim seremos mais autênticos e livres na existência e poderemos construir nosso futuro com escolhas sábias e pautadas no Amor.

Adriano Zandoná é seminarista da Comunidade Canção Nova em Palmas/TO

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Viver em intimidade com Espírito Santo



Viver em intimidade com Espírito Santo


“Vinde Espírito Santo, vinde por meio da poderosa intercessão do Imaculado Coração de Maria, Vossa amadíssima esposa”.

Nesse tempo de caminho dentro no ministério de música e do serviço à Igreja, de forma geral, aprendi que todos nós desejamos ser instrumentos eficazes nas mãos de Deus. Esforçamo-nos para dar o melhor de nós e rezamos ao Pai que nos unja no exercício do nosso ministério. Não é mesmo?

Nós temos consciência de que é a ação do Espírito Santo em nós que nos possibilita experimentar o toque de Deus e, por consequência, a eficácia da missão. Daí sempre clamarmos a presença do Divino Espírito sobre nós, sobre nosso ministério, sobre todas as pessoas.

Estamos finalizando o mês de maio e nos aproximando da Festa de Pentecostes. Durante este mês nós conversamos um pouco sobre a importância de Maria, nossa Mãe e Mãe de Deus, para nos ensinar e nos ajudar a sermos servos e ministros do Senhor e do Seu Reino. Portanto, hoje, quero recordar-lhes que a Santíssima Virgem Maria, a Esposa do Espírito Santo, estava também reunida em oração quando do derramamento d'Ele sobre os apóstolos em Pentecostes.

Maria, a amadíssima esposa do Divino Espírito, intercede ainda hoje para que nós também sejamos batizados n'Ele e façamos a experiência de intimidade com Deus.

Ora, tendo consciência de que somente por um relacionamento com a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade nos tornamos ungidos, precisamos clamá-Lo todos os dias e em todos os momentos, não somente quando formos exercer o ministério, mas também nas funções do dia-a-dia, pois Ele nos santifica.

De várias orações que a Igreja possui para clamá-Lo, uma das mais belas é a que acima foi citada. É por meio da intercessão da Virgem Maria que pedimos ao Espírito Santo que venha sobre nós e fique conosco.

Portanto, meu irmão, a intimidade com Nossa Senhora também nos possibilita uma intimidade com o Espírito Santo Paráclito. Duas coisas ficam para nós hoje: sempre clamarmos o Espírito Santo e perseverarmos na amizade com a Virgem Mãe de Deus, nossa Mãe.

Que você, pelas mãos de Maria, seja repleto do Espírito Santo hoje e sempre!

Com orações,


Emanuel Stênio
Comunidade Canção Nova

terça-feira, 26 de maio de 2009

Entrega dos Estatutos Doce Mãe de Deus

A infidelidade não é quando se acha outro, ou outra coisa,
mas quando não estamos por inteiros com
aquele que fazemos o compromisso.














ENTRAR NA PORCIÚNCULA

Entrar na Porciúncula, com Francisco de Assis, é nascer de novo, pelo Espírito do Senhor.

– Foi nesta igrejinha que o jovem Francisco, procurando descobrir a vontade do Senhor a seu respeito, escutou o Evangelho, pediu ao sacerdote que lho explicasse e, exultando de alegria, exclamou: “Isto mesmo eu quero, isto peço, isto anseio poder realizar com todo o coração”. E, passando da vida eremítica, dedicou-se ao anúncio itinerante da Palavra de Deus entre o povo.

» Na procura de um sentido para a tua vida, escuta a Palavra do Senhor. Nela encontrarás a missão que te há-de fazer feliz!

Entrar na Porciúncula, com Francisco de Assis, é descobrir uma “geografia da salvação”, marcada por espaços e lugares que constituem especiais manifestações do Senhor.

– Foi nesta igrejinha que Francisco, embora sabendo que o Reino de Deus se encontra por todos os lugares da terra, e que a graça do Senhor pode ser dada em todos os lugares, foi saboreando aqui uma especial presença e graça do Deus da sua aventura evangélica e missionária. Por isso, repetia: “Meus filhos, tende cuidado em nunca abandonar este lugar. Se dele vos expulsarem por uma porta, entrai logo por outra, porque este lugar é verdadeiramente santo; é a casa de Cristo e da Virgem sua Mãe”.

» Na tua peregrinação sobre a terra, vai marcando alguns lugares como especiais no teu encontro com o Deus da História, a começar pelo santuário do teu coração.

Entrar na Porciúncula, com Francisco de Assis, é encontrar-se com Maria, rodeada de Anjos, mas tendo na fidelidade ao Evangelho a bússola das grandes opções.

– Foi nesta igrejinha que Francisco, zeloso pelo seu privilégio de ser pobre, responde a um irmão: “Se não vês outra maneira de prover ás necessidades dos irmãos, vai ao altar da Virgem e despoja-o dos seus ornamentos. Acredita, a Senhora há-de comprazer-se mais em ver despojado o seu altar para podermos observar o Evangelho do seu Filho, do que ver adornado o altar e desprezado a Ele”.

» Em caso de conflito entre devoções e fidelidade ao Senhor, não hesites: só o Evangelho te levará a construir a vida sobre a rocha firme da Palavra de Deus!

Entrar na Porciúncula, com Francisco de Assis, é saber-se abraçado pela ternura misericordiosa do Pai.

– Foi nesta igrejinha que Francisco, pensando com amargura nos anos e pecados do passado, sentiu a alegria do Espírito Santo e a certeza de que estava totalmente perdoado. Por isso, pediu ao senhor Papa que todos os que entrassem nesta igrejinha, como devotos peregrinos e penitentes, participassem desta “graça do Perdão”.

» Quando sentires o peso do pecado e do conflito interior, acredita que a misericórdia do Pai, o abraço de Cristo e a ternura do Espírito são mais fortes e mais belos que todos os pecados do mundo.

Entrar na Porciúncula, com Francisco de Assis, é abrir os braços e acolher cada pessoa como irmão.
– Foi nesta igrejinha que o Papa João Paulo II, seguindo os passos do Poverello de Assis, reuniu há 20 anos e pela primeira na história da Humanidade, os líderes das grandes religiões do Mundo para orar e jejuar pela Paz.

» No teu meio ambiente, sê um instrumento da Paz, do Diálogo e do Espírito de Assis

Noite do Ingresso! Noite Feliz!













Nosso primeiro retiro

Estas são as fotos de nosso primeiro retiro, dias de decisão,aprofundamento e momento de redigirmos a "carta" onde pedimos o ingresso na CDMD. Grande emoção para todos.