sábado, 27 de agosto de 2011

“VIVA O CARISMA”!!!


No dia 29 de agosto, a Igreja celebra na sua liturgia, o martírio de São João Batista. Há 22 anos passados (1989), surge neste mesmo dia, a Comunidade Doce Mãe de Deus, como uma resposta do Espírito aos tempos atuais, tão marcado pelo ataque às famílias e a própria Igreja.
Nascemos vivenciando as dores de parto de uma nova época, com o ruir das ideologias que, tanto impacto e atração exerceram e, de outras formas, ainda exercem no continente latino americano. Já no início deste novo milênio nos deparamos com o pensamento “relativista”, que quer se impor como único. Estas propostas não são capazes de responder a necessidade de plenitude da pessoa, como também, são incapazes de solucionar os graves e crescentes problemas do nosso continente e do mundo.

Neste quadro histórico, surge a Comunidade Doce Mãe de Deus, como resposta providencial do Espírito. Somos um novo Carisma para um novo tempo afim de que, na Igreja e com a Igreja, propor, de forma positiva, aos homens  uma experiência real com a pessoa viva de Jesus Cristo. Está experiência nos dá a alegria de ser cristãos, a necessidade de pertencer à Igreja e de vivenciar os Sacramentos.
O Carisma Doce Mãe de Deus chega num tempo de grandes desafios, numa época marcada pela descristianização dos povos, quando não, a pregação, por tantos de um cristianismo light e relaxado, que tenta sucumbir a maior marca e símbolo dos cristãos, que é a “Cruz de Cristo”.

Este novo Carisma, não só soergue o madeiro da cruz, mas também o crava na alma e na vida de tantos, que são chamados com autenticidade a acolher o “Deus do presépio, o Deus do calvário e o Deus do altar”. Somos chamados a “ser testemunha do mistério da salvação de Cristo pelo amor da santa cruz”. Da cruz, renegada por este mundo laicizante, brota a vida e a vocação deste novo povo na Igreja. Somos arautos de um tesouro que encontramos e nele somos chamados a gastar as nossas vidas.
Espetacular é a confiança que Deus deposita nos escolhidos por seu Filho, para encarnar um Carisma e distribuí-lo àqueles e àquelas que Ele chamar. Sabemos que o ser humano tem as suas fragilidades, por isso admiro como o Criador entregou ao seu alvitre tamanha grandiosidade, saída de suas mãos.

O fundador Inaldo Alexandre da Silva é um guerreiro, um homem audacioso, perspicaz, valente e destemido. Este filho de Deus não sossegará enquanto não for plenamente consumido pela vontade do Deus, que o chamou. Olhando para a vela que se consome no fogo, eis a vida deste irmão, sendo consumida no fogo do altar de Deus. Um profeta dos tempos atuais, um verdadeiro evangelizador, um homem que ama a Deus e se inclina à sua vontade.
Somos todos seguidores de Cristo, no qual a cada dia desbravamos este novo jeito de ser na Igreja e no mundo.
A nova evangelização exige reforço da identidade católica e seu sentido de pertença a Igreja. As pessoas querem coerência, testemunhas coerentes entre o anúncio e a vida. Não se pode anunciar o Evangelho, sem ter uma credibilidade no estilo de nossa vida. Como defensores e guardiões de um Carisma, precisamos de pessoas firmes na fé, circunspectos e sábios.  Pessoas com muito Carisma, e com grande amor no coração.

Apesar de estarmos com os pés numa época marcada pela descristianização, o Projeto João Paulo II de nossa Comunidade, com o Pe. Márcio José a frente, confirma que há muitos jovens entusiastas e dispostos a doar-se, por amor ao Reino de Deus e a sua Igreja. Eis uma resposta concreta que o Carisma Doce Mãe de Deus dá ao mundo, que tantas vezes, torna-se ausente das coisas de Deus. Com a “Juventude João Paulo II”, celebramos vinte e dois anos, e com ela caminhamos, para o “jubileu de prata” no ano de 2014, mesmo ano da copa do mundo, em nosso alvissareiro Brasil.
As Novas Comunidades revelam um Deus que “não dorme”, atento às necessidades do seu povo a cada momento da história. Assim, Ele vai se revelando e mostrando, que só Ele, é o Senhor da vida e da humanidade.

Viva a Deus!

Viva a sua Igreja!

Viva aos 22 anos da Doce Mãe de Deus!

Celebremos este novo dia, com orações.

Diác. Wellington,CDMD

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Da dor ao Testemunho

Na conjuntura atual percebemos que a temática da dor e do sofrimento torna-se bastante pertinente, pois, cada vez mais acompanhamos tal modernidade que cria e recria recursos que amenizem o impacto das mesmas. Partindo desta temática podemos pautar nossa discussão a partir de uma pergunta: De onde vem a dor e qual sua finalidade?
Estamos cercados de anúncios no campo da fé que motiva as pessoas a rejeitar todo tipo de dor, colocando-a na condição oposta aquilo que venha a ser de Deus, no entanto, no Evangelho, Jesus é bastante enfático: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (cf. Mc 8,34). A proposta de Jesus não significa um ato de masoquismo, mas si um ato de coragem, um ato que possibilita aquele que faz esta experiência, compreender que sendo a dor inerente a condição humana, ela não é o fim, mas o princípio, onde acontece um encontro da finitude humana e infinitude divina.

Deus prova aquele que ama! Ele faz isso, não porque seja malvado, mas porque é mediante a provação que o homem experimenta a dependência que ele tem de Deus, dependência esta, que não oprime nem escraviza, mas liberta, uma vez que, ao reconhecer a dependência de Deus ainda que seja diante do sofrimento e da dor, o homem pode contemplar a beleza na qual sua vida está envolvida em vista de sua criação a Imagem e Semelhança de Deus.
“Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade e, por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens porque Deus, que os provou achou-os dignos de si”. (cf. Sab 3,4-6) Irmãos a medida com a qual somos provados será sempre menor do que a medida com a qual somos amados. Se compreendermos isto, seremos felizes, pois, conseguiremos fazer a passagem da dor ao testemunho e, nesta graça encontraremo-nos como a obra prima das mãos de Deus, que nos provou, porque nos achou dignos Dele.

Testemunhemos, pois, a graça de saber que a dor por maior que ela seja, nunca terá mais força que o amor e, este amor é Jesus Cristo, que no seu sofrimento, nos convida a sermos testemunhas do amor, que é Ele mesmo, logo, a finalidade do sofrimento é fazer-nos participar dos sofrimentos de Cristo, em vista do amor de Deus que Nele por nós foi derramado abundantemente.

Deus vos guarde!

Helton Morais
Comunidade Doce Mãe de Deus

"CÉU NESTA TERRA"

Somos um povo novo, nascido do coração de Deus, e no Seu infinito amor, Ele nos escolheu “para sermos santos e íntegros diante do seu Divino olhar” (Ef 1,4). Em nós existe o germe Divino, a santidade de Deus, porque “fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor de sua glória” (Ef 1,12). Recebemos a marca indelével de Cristo, que é a “garantia da nossa herança” (Ef 1,14a). Portanto, digamos sem medo: Somos do céu! E este céu deve ser uma realidade em toda nossa vida.

O grande exemplo que temos de quem conseguiu revelar o céu nesta terra, foi Maria, a Doce Mãe de Deus. Verdadeiramente não houve, neste mundo, quem mais transbordou esta realidade invisível, mas tão presente. Ela, no seu “Fiat”, acolheu a Palavra de Deus encarnada em seu ventre materno e nos ofereceu deste modo, a vida em plenitude que se encontra apenas, no Redentor de nossas almas. Maria, aos pés da cruz, testemunha para toda humanidade a certeza do céu, pois mesmo diante do filho crucificado, o Servo Sofredor e perante o seu próprio sofrimento de Mãe e de Fiel discípula, não se prostra de dor, pelo contrário, permanece de pé, com um coração ardente de amor e de esperança. Postura de uma nova mulher, que acredita no céu, mesmo diante das trevas.

Que este santo exemplo da Mãe de Jesus, nos motive a sermos mais do céu, e assim, inflamados de amor pelo infinito, não nos desviemos do chamamento de Cristo, que é irrevogável. Como é grandioso contemplar um jovem, ou mesmo, uma família inteira consagrando inteiramente as suas vidas a Deus. Realmente é céu nesta terra! Fico feliz por conhecer tantos irmãos e irmãs, que se entregaram de maneira definitiva a Cristo e a sua Igreja, por meio do carisma Doce Mãe de Deus. A Deus, toda a minha gratidão por essas vidas tão generosas.

Peçamos ao Senhor, por intermédio da Bem Aventurada Virgem Maria, que esta esperança no céu preencha toda nossa vida. As incertezas deste mundo não podem abater o nosso coração, pelo grande amor de Deus por nós! Compreendamos irmãos, que acolhendo a Jesus Cristo, o “Verdadeiro Pão do céu” nesta terra, nossa vida será repleta de felicidade.

Que a Virgem da Assunção, rogue por nós a Deus nesta santa caminhada.

Deus abençoe a todos!

Pe José André CDMD

domingo, 21 de agosto de 2011

O gafanhoto e a cura




Há algumas semanas orava agradecendo ao Senhor uma grande graça de salvação e libertação. Pedi-lhe uma passagem que a confirmasse e Ele me deu o texto em que Joel descreve uma invasão de gafanhotos sobre o povo infiel, que se converte e ouve do Senhor uma inusitada promessa:
 “Eu vos devolverei os anos que o gafanhoto devorou, o yeleq, o hasil e o gazam, meu grande exército [de gafanhotos] que enviei contra vós”. Comereis até fartar-vos, louvareis o nome de Iahweh vosso Deus, que vos tratou de modo maravilhoso, meu povo não se envergonhará nunca mais. (Joel 2, 25s)
Feliz, comecei logo a imaginar como o Senhor me restituiria tantos anos de enganos, cegueiras, pecados, como reconstruiria aqueles “anos de gafanhotos” em minha vida, o tempo que havia perdido, as pessoas que havia magoado, o mal que eu havia feito, o bem que havia deixado de praticar. Sabia que, como sempre, Nosso Senhor me surpreenderia, pois Ele não se deixa vencer em misericórdia e bondade. Não contava, contudo, com o que me diria a seguir.
Mostrou-me uma planta cuja folha maior havia sido destruída por gafanhotos. Em sua superfície havia buracos, mordeduras e raladuras. Perguntou-me, então, como remendaria aquela folha. “Senhor, não sei. Para mim isso seria impossível, mas para ti, tudo é possível, inclusive fazer voltar o passado.”
“Acontece que não sou um Deus de fazer voltar o passado. Veja, com minha ressurreição e o envio do Espírito Santo, aqueles que creram tornaram-se novas criaturas, não criaturas remendadas.”
Na mesma planta que me havia mostrado, começou a surgir outra folha: novinha em folha, verdinha, saudável, viçosa. Nosso Senhor, então, me explicou que era essa a Sua obra: fazer novas todas as coisas, não remendar as velhas. Em meu orgulho e presunção, na mania de querer mandar em minha vida, eu poderia até querer que o passado fosse reconstruído, remendado, mas não era essa a forma de Ele agir. A própria história da salvação comprova isso. Ele é o Senhor da vida ressuscitada, da vida nova. É o Senhor que descongela o rio do passado e o faz correr, cálido e fecundo, para uma vida nova e para a feliz eternidade. É o Senhor das folhas vivas, novas, sadias.
Caí em mim. Percebi o quanto insistimos com o Senhor sobre refazer, reconstruir o nosso passado. Como desejamos que o tempo retroceda para que vivamos bem o que havíamos vivido mal. Como diz Eclesiastes, “vaidade das vaidades”! Na verdade, “orgulho dos orgulhos”. Grande presunção achar que faria tudo diferente!
Sabemos que do ponto de vista do tempo, o passado é o único tempo que me pertence, pois o presente acaba de passar e o futuro ainda não chegou. Entretanto, ele me pertence como passado e não como presente! Pertence-me para que o utilize como “matéria prima”, como aprendizado para o presente com vistas ao futuro. Para que ele voltasse, teria que ter a mesma idade, exatamente as mesmas circunstâncias, as mesmas pessoas, os mesmos sentimentos, pensamentos, mentalidade. Daí – triste realidade! – provavelmente o viveria do mesmo jeito. Seria, portanto, tolice, pedir a Deus que reconstrua nosso passado, que o modifique. No máximo, podemos – devemos! – pedir-lhe que o ordene para o amor, ou seja, que o faça funcionar segundo as leis do amor e gere em nós humildade, tolerância, paciência, fé, esperança, todas frutos da lei da caridade.
É então que se dá o milagre: segundo as leis do amor de Deus, o passado mal vivido não é remendado – correríamos o risco de colocar remendo novo em pano velho! – mas renovado, transformado em algo totalmente novo, totalmente melhor, totalmente diferente, elevado, divinizado. Antes sofrido e voltado para nós mesmos, passa a ser, agora, cheio de esperança e voltado para o amor, para o Evangelho, apontado para o outro, para a vida eterna, tendo por alvo o céu.
É a folha nova, a vida nova, a graça nova, a oportunidade nova que Nosso Senhor nos dá. Pelo arrependimento, confissão, graça de Deus, graça da salvação, somos novas criaturas, nascidos de novo e o gafanhoto, com a graça de Deus, “nunca mais nos envergonhará”.


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por Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom *
Comunidade Shalom

domingo, 14 de agosto de 2011

Feliz na castidade



Sou Jovem: feliz na castidade

Amigos jovens! Torno-me um de vós com o desejo de compreender vossos anseios mais profundos. Faço a cada dia uma opção de escutar e tentar dar pistas àqueles que se abrem para uma palavra encorajadora.

Vivemos numa sociedade atual marcada pela subjetividade e a globalização. Ao mesmo tempo, busca-se a realização do próprio “eu” e a necessidade de viver em grupo aceitando tudo aquilo que todos falam ou fazem. Busca-se também a felicidade, mas nem sempre está firmada pela ética do bem comum, encontrando sua satisfação na cultura hedonista.

É preciso admitir que um jovem no século XXI se depara em uma “mudança de época” com muitas expectativas positivas, mas também com dúvidas a respeito dos comportamentos. As decisões e escolhas na fase da juventude atual se baseiam nas experiências de relacionamentos. Por outro lado, diante de tantas mudanças em tempo curto de passagem, torna-se mais complexo identificar o que é certo e o que é errado, dependendo do referencial que se toma como base.

Castidade é sinônimo de felicidade. O feliz é aquele que está em harmonia dentro de si. Ele vê as coisas ao seu redor com gratuidade. Sabe discernir o que é para ele e o que não convém para sua felicidade.

Agradeço a Deus pelos inúmeros jovens que tenho encontrado nestes últimos anos. Aqueles que se dedicam com radicalidade por uma vida de pureza. Tenho escutado partilhas edificantes daqueles que, na experiência do namoro ou não, se preparam para um digno matrimônio futuro. Suas vidas são modelos de jovens castos.

É preciso dizer daquilo que ameaça a real felicidade na juventude contemporânea. Experiências como ficar está na moda entre os jovens. Essa situação facilmente já aconteceu com a maioria. Os resultados dessa prática são: mães solteiras, famílias destruídas, meninas que estão fazendo aborto, doenças sexualmente transmissíveis, depressões, e tantas mais. Outra degradação do ser humano é a prostituição que muitas vezes é tratada como um comércio ou uma indústria que reduz o rico mistério da sexualidade humana a uma simples comodidade. O erotismo e a pornografia, que distorce e até vulgariza o afeto entres as pessoas, está obrigando jovens a serem obscenos, sem preservar a intimidade. Outro problema que afeta os jovens é a dependência da prática da masturbação, que pode ser sinal de que algo internamente na pessoa não vai bem. Esses e outros são desafios que enfrentamos os quais devemos conhecê-los e lutar contra eles.

Ser puro é ser casto, é guardar a entrega total do corpo para quem nos ama de verdade e com quem temos a certeza de poder viver para sempre. Somente o amor verdadeiro pode fazer alguém dar-se por inteiro, inclusive na dimensão da corporeidade. O verdadeiro amor busca a união com a outra pessoa. A fé e as orações muito nos ajudam na perseverança e serenidade na fidelidade da capacidade de amar na verdade. Somos convidados a manter pura nossa vida, nos relacionarmos na segurança do verdadeiro amor.

Que o Senhor nos ajude a não desperdiçarmos o tempo de nossa juventude no cansaço de uma vida sem ideais. À Nossa Senhora, jovem de Nazaré, confiemos a conservação da pureza original e que realizemos a vontade Daquele que nos criou.

Pe. Márcio José Costa Teixeira

(Comunidade Doce Mãe de Deus)

Twitter: @pemarciocdmd


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Oh, meu Francisco, não deves mais chorar!



 

Ainda nos anos 80, Frei Felipe ensinou aos noviços uma música tradicional italiana que, a cada ano que passa, toma um novo e mais profundo sentido para nós, ensinando-nos muito sobre a beleza da amizade, dos afetos e da benevolência do Deus que se fez homem como nós:
Chorando, Francisco disse um dia a Jesus:
“Amo o sol e as estrelas, amo Clara e as irmãs,
amo o coração do homem, amo todas as coisas belas.
Oh, meu Senhor, me deves perdoar,
pois só a Ti eu deveria amar.”

Sorrindo, o Senhor respondeu-lhe assim:
“Amo o sol e as estrelas, amo Clara e as irmãs,
amo o coração do homem, amo todas as coisas belas.
Oh, meu Francisco, não deves mais chorar,
porque eu amo aquilo que tu amas.”

Em português a rima certamente não fica lá essas coisas, mas a mensagem ultrapassa em muito esta pobreza poética. Francisco chora porque, além de amar a Deus, ama a natureza – o sol e as estrelas. Culpa-se porque, além de amar a Deus, ama as pessoas – Santa Clara e suas irmãs. Penitencia-se por ser apaixonado pelo homem em sua beleza interior. Acusa-se por amar o que é belo. Aos prantos, pede perdão a Deus pois está convencido que só a Ele deveria amar. Julga-se impuro, ingrato, pecador, por amar outras coisas além de amar a Deus.
O sorriso com o qual lhe responde o Senhor contrasta com o pranto do Pobrezinho de Assis. É fácil imaginar seu rosto surpreso quando ouve o Senhor responder-lhe, sorrindo, que também Ele, o Senhor do Universo, o Deus Altíssimo e Todo Poderoso, também Ele, o Onipotente, o Deus Único, também Ele ama a natureza que criou; ama Clara e as irmãs, que elegeu; ama o coração do homem, que habita. Também Ele, a Beleza Suprema, a Suprema Verdade, ama todas as coisas belas.
Há, entretanto, uma razão muito especial para o Senhor amar todas essas coisas e pessoas. Uma razão acima do fato de serem suas criaturas, seus filhos, sua habitação: é que essas coisas, além de amáveis pelo que são, são amadas por Francisco, seu amado poverello. Porque Francisco ama o Senhor, ama todas as coisas boas e belas, pois tudo o que é bom e belo vem de Deus e o reflete. Porque o Senhor ama Francisco, ama tudo o que ele ama, pois amando o que o Senhor criou, ele o ama acima de todo o criado.
Há em tudo isso uma ternura difícil de expressar. Francisco, em sua inocência, crê pecar por amar aquilo que reflete o amor de Deus, mas que não é Deus. Por isso chora. O Senhor, em sua benevolência, recebe o amor inocente de Francisco e o corrige, explicando que também Ele, o Senhor, ama o que é bom e o que é belo. Deixa entrever que beleza e verdade se supõem. Com seu sorriso, consola o pranto de Francisco. Ensina-lhe, assim, algo tão singelo que por vezes escapa às nossas complicações altivas: o maior mandamento não é amar somente a Deus e não ter afeto por nada ou ninguém; o maior mandamento é amar a Deus, amar o que é bom e belo e, exatamente por isso, amar a Deus acima de todas as coisa boas, belas, verdadeiras e amáveis.
Reconhecer que Ele, que é Amor, é o autor de tudo o que é amável e que amar o que o reflete é uma forma terna, atenta e delicada de amá-lo em tudo e em todos. Em linguagem poética, Francisco é lembrado de que o maior mandamento é amar a Deus acima de todas as coisas que se ama e não excluindo ou não amando as coisas e as pessoas.
Dá o que pensar, essa poesia italiana... Lembra São João: “quem diz que ama a Deus, mas não ama seu irmão...” Bem, você sabe: é mentiroso. Jesus não permitiu que Francisco caísse nessa “mentira”, nessa espiritualidade falsa que deixa de fora os afetos, condenando-os ao invés de utilizá-los para a glória de Deus, tudo ordenando segundo o amor. Sem afetos, o homem não é humano e só o homem “humano”, segundo a estatura de Cristo, com seu corpo, intelecto, afetos, espírito, é, verdadeiramente, espiritual.
Dá o que pensar, também, o modo maravilhoso como Deus se compromete com Francisco. O modo como Ele curva-se sobre seu eleito e lhe é fiel. O modo como Ele, que é o Deus Altíssimo do Poverello, não despreza seus afetos, mas une-se a eles e, assim, fá-los belos, eleva-os e reafirma a capacidade de amar e de contemplar com que criou a ele e a cada um de nós. Ordena, com sua ternura, os afetos de Francisco segundo a ordem do amor: “Também eu, meu Francisco, amo essas coisas. Sou um contigo. Amo o que tu amas, pois tu me amas acima de tudo o que amas”.
Frei Felipe está, agora, no céu. Deve estar sorrindo, com seus olhos verdes – agora não mais míopes – cantarolando para cada um de nós, ternamente: O mio figliolo, non devi pianger più, perchè Dio ama quel che ami tu... Deus lhe pague, Frei Felipe. Você talvez não tenha tido o saber das academias, mas deixou-nos a sabedoria de quem acolhe, humildemente, a própria humanidade e oggi, non piange più. Auguri!

Emmir Nogueira Co-Fundadora da Comunidade Shalom

segunda-feira, 18 de abril de 2011

OS QUATRO GRITOS

Na liturgia deste Domingo de Ramos, fomos surpreendidos com quatros gritos que ecoaram no coração da Igreja com sua respectiva importância. No primeiro grito, ainda na benção do ramos, vemos que o povo aclamava Jesus em sua entrada em Jerusalém: “Hozana, bendito o que vem em nome do Senhor!”. Em seguida, já na narração da Paixão, vemos este mesmo povo gritando: “Crucifica-o!”. Nestes dois gritos, o que os distingue? O que teria feito o povo mudar radicalmente de idéia em tão curto espaço de tempo? São questionamentos que levantamos, para conseguir chegar a um desfecho nos dois últimos gritos, agora dados por Jesus: “Helí, Helí, Lamá Sabactâni? (Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?)” e o último grito, no qual Ele rende o Espírito.
O grito do povo expressa uma grande oscilação; a partir daquilo que o texto nos sugere, gostaria de colocar as frequentes mudanças de idéias e concepções que nós seres humanos sofremos, assim, os gritos do povo, representam a infidelidade e a inconsistência da humanidade. Já os gritos de Jesus revelam num primeiro instante um Deus que é 100% homem e como homem se sente só, porém, não permite que sua solidão desvie seu olhar de sua missão; o segundo grito, porém, revela o homem que é 100% Deus, e que permanecendo fiel ao projeto do Pai dá-nos as vias pelas quais podemos ser fieis.
Proponho, portanto, a partir destes quatros gritos uma conexão que nos possibilite vivenciar uma semana santa diferente. Somos aqueles que vão do êxtase a agonia num curto espaço de tempo, mas nos gritos de Jesus, percebemos que seu êxtase se dá exatamente na sua agonia, pois, sendo fiel ao seu projeto salvífico, mostra que o sofrimento não é o fim, mas o princípio, uma vez que, o sinal de maldição para os Judeus se torna o grande sinal de redenção para a humanidade inteira.
Que gritos estamos prontos a dar neste início de semana santa? O grito do povo que muda de idéia diante de qualquer provação? Ou o grito de Jesus, que permanece fiel mesmo diante da grande provação? Escolhamos e tenhamos uma feliz Semana Santa!
Deus vos guarde!
Helton Jonatas
Consagrado na Comunidade de Vida Doce Mãe de Deus

domingo, 16 de janeiro de 2011

As lições que aprendi com o lápis!

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Certa vez, alguém, bem inspirado, disse que a vida é um eterno aprendizado, no qual os dias sempre surgem como a oportunidade de aprendermos novas lições. Nestes dias, por exemplo, tenho sido particularmente sugerido por alguns ensinamentos do lápis. Inicialmente, fiquei fascinado com uma frase de Madre Teresa de Calcutá, que olhando para sua vocação, conclui: “Não sou nada, senão um instrumento, um pequeno lápis nas mãos do meu Senhor, com o qual Ele escreve aquilo que deseja”. Quando me deparei diante desse fragmento, fiquei surpreso por encontrar tantas lições veladas em um simples objeto, lições importantes que, se bem aprendidas, nos sugerem uma gama de significados para a nossa vida, nossa história, nossa vocação.
Não gostaria de ser metódico ao discorrer sobre os ensinamentos apresentados pelo lápis, contudo, penso que inevitavelmente o serei, pelo desejo de juntos explorarmos sua riqueza, tal como o garimpeiro se dispõe quando encontra uma mina. Com o lápis aprendemos, primeiro: a lição da confiança e do abandono em Deus. Ele nos sugere que podemos fazer grandes coisas, mas não devemos nos esquecer de que existe uma Mão que guia nossos passos, uma Mão que deseja nos conduzir. É preciso nos submetermos a essa Mão, deixando-nos ser conduzidos e orientados por ela, ainda que não seja do modo como gostaríamos que fosse. Um lápis, sem uma mão que o tome e o oriente, não tem muito sentido.
A segunda lição:  na vida da gente, depois de algum tempo tempo, precisamos ser apontados. Passar pelo apontador não deve ser muito agradável ao lápis, mas para que a ponta fique evidente e apropriada para a escrita, ele precisa se deixar cortar. E deixar-se "cortar na carne". É bem verdade que temos medo do "apontador", e isso acontece porque sabemos que afiar a ponta significa quase sempre cortar excessos, aparar o que está sobrando, tirar o que não precisamos mais, e isso é muito difícil, embora seja necessário para o nosso crescimento. A beleza escondida nessa lição nos leva a uma terceira: ao passar pelo apontador, o lápis foi cortado em sua parte externa, mas também em seu interior. O grafite também foi modelado, renovado. Passou por um processo educador, porque educar, ex-ducere, quer dizer, em latim, "evocar a verdade"; tirar, extrair, trazer para fora o novo. O que realmente importa no lápis, não é simplesmente a madeira ou seu aspecto externo, mas sobretudo, o grafite que está dentro. Para que a escrita fique perfeita, a ponta precisa ser feita por inteiro, daí a importância do cuidado com aquilo que acontece em nosso interior.
A quarta lição: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. A necessidade da borracha nos faz abandonar atitudes e vícios, nos faz mudar comportamentos, mentalidade, convicções... E nos faz olhar em outras direções, pedir perdão, voltar atrás, recomeçar, superar o egoísmo e a autossuficiência. É interessante como, de um modo admirável, o lápis nos ensina a necessidade que temos da "borracha" quando estamos diante do erro.
Finalmente, a quinta lição é que o lápis sempre deixa uma marca. Tudo o que fazemos, de algum modo, marca as pessoas, e marca, sobretudo, nós mesmos. A qualidade dessas marcas sempre resulta das escolhas que fazemos diante daquelas outras lições. É preciso deixar as boas marcas para as quais o lápis foi gerado. Se ainda não as [boas marcas] deixamos, é tempo de recomeçar. É tempo de escrevermos uma nova história. É preciso, tal como o lápis, nos abandonarmos. O tempo é agora. O tempo é neste dia que se chama HOJE. Um Bom Mestre está sentado à mesa e à Sua frente há um lápis, um apontador, uma borracha e uma folha em branco assinada. Ele olha para a folha, toma o lápis em Sua  Mão e concorda com Santo Agostinho dizendo: “Ter fé, isto é, se abandonar, é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela com o lápis da nossa vida o que quiser”.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano novo! Vida nova!


Queridos irmãos e irmãs, iniciamos mais um ano e sempre neste tempo, renovamos as nossas esperanças, fazemos também muitas promessas, para que os erros cometidos no passado, não voltem a acontecer. Mas, para que isso aconteça de fato, precisamos abrir ainda mais o nosso coração para Deus e assim sermos conduzidos por Sua luz, a fim de que as trevas não atrapalhem a nossa ventura.
Na festa que celebramos hoje, a Epifania do Senhor (Primeira manifestação de Deus), o Deus da luz nos convida a irmos ao Seu encontro e diante Dele, abrirmos o cofre do nosso coração, entregando a Ele o mais valioso bem que todos nós possuímos a VIDA. Deus, em seu profundo amor acolhe a nossa oferta e nos oferece muito mais do que ofertamos. Pois, a verdadeira alegria consiste em dar-se plenamente a Deus.
Nesta semana que passou, a última do ano de 2010, uma irmã de comunidade escreveu uma frase no seu twitter que me chamou atenção: “Estou sem destino na virada”. Ela se referia ao local que passaria o reveillon. Entretanto, eu interpretei esta frase de uma maneira diferente, não no caso dela, que passou o final de ano em nossa Casa Mãe (Discípulo Amado), mas na vida de muita gente que não percebe o grande amor de Deus.  É que muitas pessoas realmente estão sem “destino”, não apenas na “virada”, como também na vida e por isso, não conseguem crescer e serem felizes, elas pensam apenas, no hoje e não conseguem construir nada, porque são imediatistas.
O meu e o seu destino, está em fazer unicamente a vontade de Deus. Nós fomos predestinados a vivermos em Deus. Sem Ele não produziremos frutos que permaneçam e sem a sua força e o seu amor cairemos na solidão, definitivamente.
“Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice és tu que garantes o meu futuro” Sl 15,5
Entregando-nos a Deus, encontraremos Nele o verdadeiro destino do ser humano: Ser Filho de Deus , perceberemos que neste mundo, só há plenitude de vida, se estivermos unidos a Ele. Portanto, sigamos a Cristo seguindo a estrela de Belém, que é a Igreja, para o adorarmos em espírito e em verdade. De joelhos diante Dele, ficaremos de pé nos momentos difíceis que, provavelmente, iremos nos deparar neste novo ano. Pois, ainda caminhamos na penumbra da fé.
Que Maria, a Doce Mãe de Deus, rogue por nós, nos conduzindo no caminho da paz.
Deus abençoe a todos e um Feliz Ano na benção do Senhor.

Pe. José André CDMD
Twitter @padrejoseandre1

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O homem está vivo enquanto espera


Bento XVI – Oração do Ângelus, Primeiro Domingo do Advento

Caros irmãos e irmãs!

Hoje, primeiro domingo do Advento, a Igreja inicia um novo Ano litúrgico, um novo caminho de fé, que, de uma parte, faz memória do evento de Jesus Cristo e, de outra, abre-se ao seu cumprimento final. E justamente desta dupla perspectiva vive o Tempo do Advento, olhando tanto para a primeira vinda do Filho de Deus, quando nasce da Virgem Maria, como para o seu retorno glorioso, quando virá para “julgar os vivos e os mortos”, como dizemos no Credo. Sobre esse sugestivo tema da “espera” eu gostaria de refletir brevemente agora, porque se trata de um aspecto profundamente humano, em que a fé se torna, por assim dizer, una em nossa carne e nosso coração.

A espera, o aguardar, é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. A espera é presente em milhares de situações, das menores e mais banais às mais importantes, que nos comprometem totalmente e no profundo. Pensemos na espera de um filho da parte dos pais; a de um parente ou de um amigo que vem nos visitar de longe; pensemos, para um jovem, na espera do êxito de um exame decisivo, ou de uma entrevista de trabalho; nas relações afetivas, a espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, ou da acolhida de um pedido de perdão... Pode-se dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto em seu coração é viva a esperança. E por sua esperança o homem se reconhece: a nossa “estatura” moral e espiritual se pode medir por aquilo que esperamos, por aquilo em que temos esperança.

Cada um de nós, portanto, especialmente neste Tempo que prepara o Natal, pode-se perguntar: que coisa eu espero? O que, neste momento de minha vida, clama em meu coração? E essa mesma pergunta se pode colocar no âmbito da família, da comunidade, da nação. O que aguardamos, em conjunto? Que une nossas aspirações, o que nos junta? No tempo precedente do nascimento de Jesus, era fortíssima em Israel a espera do Messias, ou seja, de um Consagrado, descendente do rei Davi, que libertaria finalmente o povo da escravidão moral e política e instauraria o Reino de Deus. Mas ninguém poderia imaginar que o Messias pudesse nascer da uma jovem humilde como era Maria, esposa prometida do justo José. Nem mesmo ela poderia pensar, apenas no seu coração a espera do Salvador era tão grande, a sua fé e a sua esperança eram tão ardentes que Ele pôde encontrar nela uma mãe digna.

Além disso, o próprio Deus a havia preparado, antes dos séculos. Há uma misteriosa correspondência entre a espera de Deus e a de Maria, a criatura “plena de graça”, totalmente transparente ao plano de amor do Altíssimo. Aprendamos dela, Mulher do Advento, a viver o dia a dia com um espírito novo, com o sentimento de uma espera profunda, que só a vinda de Deus pode preencher.

Fonte: Publicado no ZENIT.org

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

IDE E EVANGELIZAI 2010


“Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa nova para toda humanidade.” (Mc 16,15)

Desde que me tornei missionário Doce Mãe de Deus este versículo faz parte da minha vida diariamente. Sou missionário, sou Padre, e exerço meu ministério de forma mais atuante nas cidades de Serra da Raiz, Duas Estradas e Lagoa de Dentro há seis anos, na Diocese de Guarabira, no Estado da Paraíba.
Na realidade este mandato evangelizador de Jesus é para todos os batizados. Nós recebemos no dia do nosso batismo este envio para sermos entre os povos sal e luz, por isso mesmo a Igreja (comunidade de batizados) é essencialmente missionária, e ela encontra a sua real vocação quando vive a missão.

Os Bispos da América Latina e do Caribe reafirmaram na Conferência de Aparecida a missão da Igreja no mundo de hoje, convidando esta mesma Igreja e os seus ministros a uma verdadeira conversão pastoral em suas estruturas e metodologias, ou seja, ou ela assume este papel ou deixa de ser obediente ao seu fundador Jesus.  Não podemos apenas ser missionários apenas no mês de outubro, esta missão como Igreja é permanente!
Jesus convida a todos para segui-lo! E como Rei e Senhor que é, manda a todos em missão, envia a cada um de nós!
Peçamos, portanto, ao Espírito Santo esta força missionária que já existe em nós pelo batismo, e busquemos anunciar com a vida Jesus e a sua mensagem.

Deus abençoe a todos.
Pe. José André, CDMD.

FOTOS DO IDE E EVANGELIZAI 2010
Lagoa de Dentro/PB

Fruto da providência divina o ÔNIBUS está preparado para partirmos com destino a Lagoa de Dentro/PB

Passeio ciclistico com as crianças do Projeto Mãe da Ternura

Fomos acolhidas por Mazé e Ana

Chegamos para Missão: Neves, Vitória e Ana Cláudia

Todos em comunhão para vivermos o mistério e a força da missão

Recepcionados com um lauto café da manhã, fruto da partilha das famílias


Crianças do Projeto Mãe da Ternura cansados depois do Passeio Ciclístico


Cléo membro do Emanuel que se doou para deixar as crianças e os adultos com o coração e a cabeça mais bonitas

Williane em sua missão, aferindo a pressão dos idosos

A alegria de sermos um neste Carisma e proclamarmos o amor de Deus: Ana, Neves, Vitória, Celise, Dilane e Noé

Até Mazé aproveitou o momento para cortar suas madeixas


Oficina de reciclagem

As crianças aprenderam como aproveitar o fundo da garrafa pet e fazer uma tartaruguinha


Cleuma, um sorriso novo, uma esperança nova. Conversando com as crianças e suas mães sobre higiene bucal.





Obrigado Ana e Mazé por serem sinal da providência de Deus










Nucleo de Eventos presente e atuante no Ide. Deus seja louvado pela vida de meus irmãos: Neves, Fabiana, Vitória e Ana

Santa Missa presidida por Padre Joaquim


Povo de Deus rezando

A força dessa ação missionária Cláudia e Suênia


Vitória e Monsenhor José Andre



domingo, 17 de outubro de 2010

A oração é um ato de insistência, de quem pede Àquele que é capaz

O mundo é das incertezas. Não podemos ter plena segurança na fidelidade das pessoas. O que conta e nos dá a plena firmeza é a fé, caminho de certeza da justiça divina. Só quem acredita em Deus consegue viver de mãos erguidas, na confiança de um mundo melhor.


Moisés teve uma atitude bonita, pois colocou-se na posição de súplica a Deus, pedindo para que seu povo vencesse na guerra. Mesmo na condição de chefe, sentiu seus limites e passou a confiar na força de Javé. Enquanto permanecia de mãos erguidas para o alto, seu povo vencia a luta.


No mundo dos mortais, não basta às pessoas terem conhecimento teórico e técnico, porque nem sempre a ciência e a prática conseguem emitir uma certeza total. Estamos na condição temporal, no mundo que deve ser sempre construído e caminhar na busca da perfeição da obra da criação.

Corremos o risco do endeusamento de nós mesmos, mas só Deus é perfeito e capaz de nos dar plena segurança e certeza. Aqui está o sentido da oração, da dependência que temos de algo perfeito, que só é encontrado em Deus. Ele é o juiz da perfeição e da total segurança.


A oração é um ato de insistência de quem pede Àquele é capaz de responder com segurança. Deus é como um juiz, que toma partido do lado de quem precisa e de quem está vivendo no limite de suas necessidades e de sua dignidade.

O juízo de Deus não tem parcialidade. Ele atende a quem tem interesse pelos valores do Reino, olha para aqueles que sofrem as injustiças causadas pelas maldades do mundo, leva em conta as atitudes de insistência na vivência da fé.


Nem sempre temos as forças necessárias para cumprir as tarefas que o mundo exige, e não é fácil sentir a mão protetora de Deus na vida cotidiana. Por isso o nosso coração deve ser sempre confiante na ação divina. Mãos ao alto em atitude indefesa, desarmada, frágil e vulnerável. A fé é a fonte da oração.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

sábado, 16 de outubro de 2010

PARÁBOLA DO AQUARIO


11627aquario Era uma vez um aquário onde viviam peixes grandes, médios e pequenos. Ali imperava a lei do mais forte. Os alimentos atirados pelo Criador eram disputados. Primeiro comiam os maiores. O que sobrava destes era devorado pelos médios. E o que sobrava dos médios era devorado pelos pequenos. Na falta de outro alimento, os grandes devoravam os médios e estes, por sua vez, devoravam os pequenos. Ora, havia um peixinho muito pequenino, que morava no fundo do aquário, onde estava a salvo da fome e da gula dos demais. Ali, naquelas profundezas, poucas vezes caía algum alimento. Mas, o peixinho, ao invés de maldizer a sorte, enganava a fome distraindo-se a contemplar os desenhos dos azulejos, as plantinhas, a areia branca e as pedrinhas brilhantes que enfeitavam o fundo do aquário. Um belo dia, o peixinho descobriu um ralo, por onde saía a água do aquário. Admirado, exclamou: "Ué! Então este aquário não é tudo? Existe outro lugar onde se pode viver? Para onde irá essa água que não pára de correr? E, o peixinho, curioso, tentou passar pelo ralo. Como os vãos fossem muito estreitos, ele se dispôs a fazer sacrifícios e emagrecer até passar para o outro lado. Foi assim que, dias mais tarde, bem mais magro e ainda assim perdendo algumas escamas na travessia, ele conseguiu seu intento. E foi assim que ele conheceu, pela primeira vez na vida, o que é a água corrente. - Uma delícia! Uma maravilha! O peixinho ia pulando feliz pelo rego da água, deslumbrado com tudo. E o rego da água levou o peixinho até uma enxurrada... Na enxurrada, mais água ainda. E a correnteza mais forte. Não era preciso nadar. Bastava soltar o corpo. Que maravilha! Quantos peixinhos livres! Quantos barquinhos de papel! E o sol??? Que coisa linda! E aqueles bobos, lá no aquário, pensando que aquilo fosse tudo, aquela água suja e parada. Coitados!!! E a enxurrada levou o peixinho a um riacho. E o peixinho nunca pudera imaginar tanta água de uma vez. Nunca vira crianças nadando. Nunca vira mulheres lavando roupa e cantando. Nunca pudera ver tantas plantas, tantas flores, tanta beleza junta! E julgou que estivesse delirando. Quanta comida, quanta água, quanto lugar onde viver em paz, quanta felicidade para todos! Ah! Aqueles pobres diabos lá no aquário ... se vissem tudo isto! E o riacho levou o peixinho até o rio. Não. Não é possível! Isto não existe! Olha quanta água! Parece não ter fim. Quanta comida! Quanto sol, quanta luz, quanta beleza! E foi assim, extasiado, maravilhado, deslumbrado, quase não acreditando em seus próprios olhos, que o peixinho, levado pelo grande rio, chegou enfim ao mar. Ali, diante daquele infinito de águas, de alimentos, de luz, de cores, de plantas, de um mundo de coisas maravilhosas, diante daquela majestade toda, o peixinho chorou. Chorou comovido, agradecido, porque a alegria era tanta que não cabia dentro de si. E chorou, sobretudo, de pena de seus coleguinhas, grandes e pequenos, que haviam ficado lá no aquário, naquelas águas poluídas, escuras, pardas, estragadas, espremidos, pensando viver no melhor dos mundos. E o peixinho, então resolveu voltar e contar a boa nova a todos. E o peixinho voltou. Do mar para o rio (sacrifício, porque agora a viagem era contra a correnteza). Ele nadou para o riacho, para a enxurrada e da enxurrada para o rego e do rego para o fundo do aquário. E atravessou o ralo de volta... Desse dia em diante, começou a circular pelo aquário um boato de que havia um peixinho contando coisas mirabolantes, falando de um lugar muito melhor para viver, um lugar de amor e paz, um lugar de fartura infinita, onde ninguém precisa fazer sacrifício, nem se devorar uns aos outros. E todos acorreram ao fundo do aquário para saber da novidade. Os grandes, os médios, os pequenos, todos os peixes queriam saber o que era preciso fazer para chegar a esse mundo maravilhoso... E o peixinho, mostrando-lhes o ralo, explicou, que para chegar ao outro mundo, era preciso algum sacrifício, pois a passagem era realmente estreita. Segundo o tamanho, uns teriam de sacrificar-se mais, outros menos. E os peixes pequenos passaram, a seguir, a escutar o peixinho, enquanto os médios e os grandes, sobretudo, consideravam-no maluco, um visionário. Onde já se viu? Impossível passar por aquele vãozinho tão estreito! Só um louco mesmo! E a história do peixinho se alastrou. De tal maneira se alastrou e pegou, que modificou a vida no aquário e perturbou o sossego dos peixes grandes e médios, que estes acabaram por matar o peixinho para acabar com aquelas besteiras. Mas o peixinho não morreu. Continuou vivendo, pois sua mensagem imortal, passava de geração em geração... Até hoje, a história do peixinho é lembrada no aquário. Até hoje, há os que crêem. E até hoje há os passam pelo ralo e os que jamais conseguirão fazê-lo, porque, quanto maior e poderoso, tanto maior será o sacrifício exigido. E por isso está escrito:
"EM VERDADE, EM VERDADE VOS DIGO: É MAIS FÁCIL UM CAMELO PASSAR PELO FUNDO DE UMA AGULHA DO QUE OS RICOS ENTRAREM NO REINO DE DEUS"
Ei Filoteu! tu te lembras da passagem do Evangelho que diz: "A porta que conduz à vida é estreita"?  Pois é! É isso mesmo! Nada de moleza! Cara, tu tens que ir com gosto e gás para dar conta do recado! Morou? Sacou? uau! Vá nessa que é bom à bessa!

Um abraço e bênção do Padre.
                                                                                                                                                                               Pe. Antonio Marcos Chagas
Sacerdote, membro da Comunidade Católica Shalom (comunidade de aliança)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nada te Perturbe

 


Quer conhecer um roteiro infalível para seu dia a dia? Leia com atenção:
Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa!  Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta.
Escrito há 500 anos, essa poesia de Santa Teresa de Jesus continua a ensinar o essencial: Só Deus basta! Mas, o que isso significa concretamente?
Vivemos sobressaltados, preocupados. Inquietos, passamos o dia tentando resolver mil coisas. Ansiosos, não conseguimos dormir bem. Preocupados, acabamos por meter os pés pelas mãos no desejo de evitar que aconteça o que nós consideramos “o pior”. Estressados, acabamos por nos irritar contra tudo e todos. Gritamos no trânsito, gritamos em casa, desmoronamos de cansaço.
O problema está, entre outras coisas, em achar que sabemos o que é o “melhor”  e “pior”para nós. Uma vez estabelecido o que consideramos nos convir ou não, tomamos as rédeas para determinar o que consideramos “melhor”. Ocorre que tudo, mas tudo mesmo, passa e o que ontem nos parecia “o melhor”, hoje é, visivelmente, “o pior”.
A raiz da inquietação, estresse, preocupação e ansiedade que aos poucos nos matam, contudo, reside além do fato de tudo passar, reside na fé.
Há a fé  que acredita em Deus e reza, contrita, o “Creio em Deus Pai”. Acreditar desse jeito, afirma São Tiago, até os demônios crêem e tremem. Nós, até cremos, quanto a tremer...
Há aquela “fé” que pede a Deus o que acha “necessário”, “imprescindível”,  “melhor” e fica ressentida com Deus se ele não atende seu pedido por mais que peça através de todos os meios – diga-se de passagem, nem sempre lícitos. É a fé infantil, diria, até, “birrenta”. Essa fé, “contrariada”, muda de igreja quando não é atendida, assim como criança birrenta põe cara feia e diz aos pais que não é mais filho deles.
Há a fé  madura, que crê no Evangelho e na Igreja e vive seus ensinamentos, custe o que custar. É a fé dos santos.
Há a fé  que confia em Deus e a ele se entrega inteiramente, tranquila, pois sabe que ele é Pai e sempre providencia o melhor para nós. E, para Deus, o melhor para nós é a santidade.
É essa fé madura e inteiramente confiante no amor de Deus que não se perturba com nada. Sabe ser fiel a Deus e ao Evangelho na penúria e na fartura, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Essa fé madura e confiante que é amada por Deus, não se espanta com nada. Nada a escandaliza, ainda que seja grande tristeza. Seus olhos não estão aqui na terra, mas fixos no céu. Sabe que, aqui na terra, tudo passa, tudo muda. Sabe que tudo pode nos enganar e iludir. Sabe, sobretudo, que Só Deus é o mesmo sempre. Só Deus não muda. Só o amor de Deus é sempre o mesmo, pois ele é amor em ato. Essa fé não vive para a terra nem valoriza o que à terra pertence. Vive para o céu, usando as coisas da terra para alcançá-lo.
Por isso tem paciência. Não aquela paciência de autodomínio, nem aquela que rói as unhas e balança as pernas para controlar a impaciência interior. Trata-se, aqui, da paciência-esperança, a paciência-fé, a paciência-amor.
É aquela paciência que sabe que Deus está no comando. Sabe que ele pode tudo e tudo realiza por amor. Está certa de que, no tempo de Deus – e não no seu! – ele mesmo resolverá da melhor forma de todas, sempre visando nossa santificação e a do mundo. Sabe que, ainda que tudo esteja negro, verá a vitória de Deus e que essa vitória nem sempre é tal qual pensamos.
Fé, caridade, esperança, paciência, confiança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Corretíssimo. Mas, quem é mesmo que “tem Deus”. Todos. Porém, Santa Teresa fala aqui daquele que conhece Deus não por palavras e teorias, mas pela oração e pelo amor. Em uma palavra, pelo relacionamento pessoal, relacionamento de amizade. Este, que ora com a Palavra, que tem a Deus como o centro de sua vida, que procura amá-lo em tudo, a este, nada lhe falta. Dele cuida o Pai muito melhor do que as aves do céu e os lírios dos campos, pois ele vale muito mais aos seus olhos.
Nada te perturbe, homem de pouca fé! Nada te espante, mulher de pouca esperança! Tudo, mas tudo, mesmo, passa, exceto Deus. Fica, então, com o Único que é  digno do teu amor e deixa-o cuidar de ti. Espera. Confia. Espera sempre, confia sempre. Quem tem a Deus, quem o conhece, quem confia nele, vive de forma diferente, vive de olho no céu e de coração no coração de Deus. Por isso, é tranqüilo e feliz.
Só Deus basta. Dedica-te a Ele. Deixa-te amar por ele. Ama-o. Nada, então, te perturbará.

Maria Emmir Oquendo Nogueira